JAMES JOYCE, LITTLE REVIEW E O NOJO POR “ULISSES”

O poeta, contista e romancista irlandês James Joyce (James Augustine Aloysius Joyce, 1882-1941) viveu boa parte de sua vida expatriado. Morou em Paris e Zurique. É considerado um dos mais eminentes poetas do imagismo (movimento literário da poesia anglo-americana que favorecia a precisão das imagens e uma linguagem clara e objetiva) e um dos maiores escritores do século XX, tendo utilizado recursos narrativos inovadores para a época, como o fluxo de consciência. Suas obras mais conhecidas: “Gente de Dublin” ("Dublinenses”) (1914), “Retrato do Artista Quando Jovem” (1916) e “Ulisses” (1922). James Joyce faz parte da lista de escritores censurados e perseguidos da história. Quando publicou o livro de contos “Dublinenses”, numa edição de mil exemplares, o impressor, John Falconer, radicado em Dublin, queimou 999 cópias, porque lhe pareceu que a obra não tinha uma “linguagem apropriada”. Um dos romances mais polêmicos e influentes do século XX é exatamente “Ulisses”, de Joyce. Quando da publicação de um trecho de “Ulisses” na revista literária “Little Review”, Nora Barnacle (1884-1951), sua esposa, repeliu o texto com nojo. Carteiros do Correio americano queimaram exemplares da revista “Little Review” para manifestar sua repulsa. Em 1921, a “Sociedade para o Combate ao Vício”, de Nova York, processou os diretores da revista que foram condenados a pagar cinquenta dólares de multa e impedidos de publicar outros capítulos do livro. Joyce encontrou dificuldades para publicar “Ulisses” nos Estados Unidos da América do Norte. A “Shakespeare and Company”, uma famosa livraria da Margem Esquerda parisiense, de propriedade de Sylvia Beach, publicou-o em 1922. Uma edição inglesa publicada no mesmo ano pela mecenas Joyce Harriet Shaw Weaver encontrou censura das autoridades estadunidenses, e as 500 cópias enviadas àquele país foram confiscadas e destruídas. Em 1923, o editor John Rodker imprimiu uma tiragem extra de 500 exemplares - destinada a substituir as cópias destruídas - mas estes livros foram queimados pela alfândega inglesa. “Ulisses” permaneceu proibido nos Estados Unidos até 1933. Embora Joyce tenha vivido fora de sua terra natal durante a maior parte da vida adulta, sua identidade irlandesa foi essencial para sua obra. Seu universo ficcional enraíza-se fortemente em Dublin. Escreveu: "Sempre escrevo sobre Dublin, porque se eu puder chegar ao coração de Dublin, posso chegar ao coração de todas as cidades do mundo.” Em 1940, doente, quase cego e com a chegada da Segunda Guerra Mundial, teve de deixar Paris e, por fim, voltou à Zurique. Morreu no ano seguinte, em 1941, de úlcera duodenal perfurada e peritonite generalizada. Está enterrado em Zurique, no Cemitério Fluntern, junto com sua esposa Nora Barnacle.

14.06.2021

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CIDADÃO INHACA E OS BIBLIÓFAGOS DO APOCALIPSE

Lendo sobre profetas “Bibliófagos”, lembrei-me do bode “Cidadão Inhaca” da cidade de Baturité, do Ceará, dos anos 60. “Inhaca” - benemérito baturiteense - era comedor de livros e jornais e, durante o expediente, montava guarda na porta do Jornal “A Verdade” do padrinho do meu pai Luiz, o saudoso Comendador Ananias Arruda. “Bibliófago” significa o que ou aquele que rói, come ou destrói livros. Os raros casos de bibliofagia estão descritos no Antigo e no Novo Testamento. O sacerdote Ezequiel ("A força de Deus" ou "Deus fortalece") disse que Deus lhe apresentou um papiro e ordenou: "Abre bem tua boca e come o que te vou dar.” Era um livro em forma de rolo. “Homem, come este rolo e depois vai falar aos filhos de Israel." Ezequiel o comeu, obedecendo à ordem Divina. Depois, disse: “Comi-o e eis que na minha boca parecia doce como o mel.” No Apocalipse, do profeta João de Patmos (João, o Visionário), se retoma a ideia de engolir livros: “Vai  e toma o pequeno livro aberto - da mão do anjo - que está em pé sobre o mar e a terra. Toma-o e o devora. Ele será amargo nas entranhas, mas te será, na boca, doce como o mel.” João de Patmos o tomou da mão do anjo e o comeu. “Era, na minha boca, doce como o mel; mas depois de tê-lo comido, amargou-me nas entranhas.” Engolir o livro garantiu-lhe transferência e transmissão do conhecimento divino. Capacitou-o - segundo as Escrituras - a falar várias línguas e se expressar de forma segura e absoluta. Por volta de 130 d.C., o adivinho e interpretador de sonhos, Artemidoro de Daldis, escreveu sobre aqueles que sonham que estão comendo livros: "Sonhar que come um livro é bom para pessoas instruídas, para sofistas e para todos aqueles que ganham a vida dissertando sobre livros.” De tudo do post, lendo “História universal da destruição dos livros”, do venezuelano Fernando Báez, fico com o bode “Cidadão Inhaca”, de Baturité, que comia, literalmente e de fato, livros, com fome de bibliófago.

13.06.2021

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WAYNE NA GUARDA DA CASA DAS ARMAS

“Duke” dos trejeitos. Quando criança “praticava” todos! Um em especial: ajustar e afivelar na cintura o cinto de couro do revólver. Fazia isso - sempre - antes de “pistolar” os inimigos do velho oeste. Era um aviso involuntário - um tique nervoso - de que iam voar balas! “Filho, o que você quer de presente de Natal?” Dois revólveres e duas cartucheiras do John Wayne (Marion Robert Morrison, 1907-1979). E muita espoleta estrela! “De novo?” Sim! “Pede outro presente”. Não! “Quer ganhar meias?” Não! Já disse. Meias é castigo! “E lenço Presidente?” Pior. “E uma boa sova?” Também não. “O seu quarto parece um paiol de pólvora de tanta espoleta, chilena, rojão e bomba rasga lata. Arsenal de guerra? Quer explodir tudo?” Talvez. “O que você disse, menino?” Nada. Mãe, e se o quarto explodir e tudo pegar fogo? “Você morre!” Posso então pedir o meu último desejo? “Pode” Quero dois revólveres e duas cartucheiras do John Wayne. Juro que no ano que vem peço outra coisa. “Você jura?” Juro. “Duke” (John Wayne) faleceu em 11 de junho de 1979. Foi na minha infância de “balas e espoletas” o meu maior cowboy e é até hoje o responsável pela guarda da casa das armas.

11.06.2021


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DO TEMPO EM QUE EU ERA CRIANÇA

“Eu sou da metade do século passado!” - copiando a brincadeira que meu avô paterno Batista da Light (João Batista de Paula) fazia sempre, resfolegando a máxima: “Nasci no século retrasado e joguei gamão com o Matusalém”. Ríamos muito! Até há pouco tempo não sabia que “Matusalém” significa: "Sua morte trará juízo!" Isso depois de viver 969 anos, segundo a Bíblia. Hoje recebi uma foto-provocação (abaixo, no post) do meu cunhado Fábio Serra, casado com minha irmã caçula, Ana Cândida. “Você já tomou banho em bacia de alumínio?” "Sim" respondi. Foi a “deixa” para voltar no tempo, na infância dos anos 1960, no Ceará, da metade do século XX. “Sim. Eu tomei banho em bacia de alumínio”. No Ceará, água sempre foi de “escassez”. Dizem que “o nordestino é antes de tudo um forte” e, a máxima - adaptada de "Os Sertões" de Euclides da Cunha - vem do sofrimento da seca e do juízo da morte. No banho de bacia de alumínio a água era de muitos. Lavava pés, orelhas, bundas, pinto e pererecas. Lembro-me da festa que era - pelados e velozes - o banho em bacia. Melhor que isso: apenas banho de toró, de molhar até a alma. Depois do banho em bacia de alumínio - do serenar das águas torvas - o ralo de ferro bebia tudo. Lembro-me do barulho das águas no caminho do cano e do silêncio do fim. “Eu sou da metade do século passado” e do tempo em que eu era criança.

12.06.2021


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NO TRAVESSEIRO DAS VAIDADES DO MUNDO

O "Livro do Travesseiro" ("Makura no Sōshi") da escritora japonesa Sei Shônagon (c. 966-1017), um inventário da cultura do Japão feudal, escrito no século X, é a principal obra da literatura clássica japonesa. Sei Shônagon foi dama de companhia da Imperatriz Teishi, durante o Período Heian. A obra é um composto de 300 textos curtos, que podem ser lidos em sequência ou ao acaso. Com uma capacidade de produzir “insights” (compreensão de uma causa e efeito específicos dentro de um contexto particular), o livro ilumina tanto os pequenos fatos do cotidiano no Palácio Imperial, como os fenômenos da natureza, as sutis interações da vida social e a refinada trama de valores estéticos, que enlaçam e organizam praticamente todas as esferas da cultura. O “Livro do Travesseiro” foi traduzido para o português por uma equipe de professoras de origem oriental do Centro de Estudos Japoneses da USP e publicado em 2013, pela Editora 34. Pouco se sabe sobre a vida da escritora - nem mesmo o seu nome verdadeiro. Sei Shōnagon é um apelido que recebeu quando entrou para a corte da Princesa Sadako (Imperatriz Teishi). Na época as damas de companhia recebiam um novo nome, composto pelo ideograma do nome de família. O título da obra em japonês - "Makura no sōshi" - vem de um episódio que é contado no Livro, segundo o qual a Princesa Sadako (Imperatriz Teishi) havia recebido de presente um maço de folhas de papel de boa qualidade - artigo de luxo, na época - e não sabia o que fazer com ele. Sei Shōnagon, então, aconselhou a princesa a fazer um travesseiro com o maço de folhas de papel. O "Livro do Travesseiro" foi escrito por volta dos anos 1001 e 1010, quando Sei Shōnagon já vivia retirada da corte, possivelmente como monja em um templo budista, onde terminaria seus dias em preces, orações e abdicação das vaidades do mundo.

10.06.2021


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PEDIDOS DE MORTE

O escritor Franz Kafka (1883-1924) autor dos livros “A Metamorfose”, “O Processo” e “O Castelo” pediu - antes de morrer - ao jornalista e escritor Max Brod (1884-1968) que queimasse seus cadernos. Deixou-lhe, uma mensagem: "Querido Max. Meu último desejo: tudo o que escrevi é para ser queimado, sem ler." Max Brod - teimoso e curioso - desobedeceu e não queimou nada. Para Dora Diamant (1898-1952), sua amante, Kafka pediu a mesma coisa: “Queime tudo!” Dora não o fez. Guardou alguns escritos e 36 de suas cartas para ela. Em 1933, o material acabou confiscado pela Gestapo, de Hitler. Moral da história: Antes de morrer - se for mesmo um pedido de morte - queime-se você mesmo!

09.06.2021

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NIETZSCHE, O BODE E AS DIONISÍACAS DA VIDA

Das tragédias: “Tragos” - que se refere a um bode e - “oidé” - que compreende um canto. Durante as representações teatrais dedicadas ao deus Dionísio (conhecido como o deus da libido e da fertilidade), um bode era sacrificado ao canto de uma “oda” (poema lírico que expressa um forte sentimento) por aqueles que formavam o coro. Dionísio é um dos mais importantes deuses da religião e mitologia grega e o mais humano de todos. Foi o último deus a ser aceito no Olimpo e também o único filho de um simples mortal. Os gregos antigos eram apaixonados por teatro. Foram eles que criaram os gêneros clássicos da dramaturgia: comédia, drama e tragédia. Esta última em sua origem era uma representação marcada por dor e sofrimento. Os atores nas apresentações usavam máscaras enfeitadas com chifres de bodes. O poeta e filósofo prussiano Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900), no ano de 1871, publicou a obra "O nascimento da tragédia no espírito da música". Para Nietzsche, a arte - e somente ela - propiciava enfrentar a dor da existência. Sua filosofia central é a ideia de "afirmação da vida", que envolve questionamento de qualquer doutrina que drene uma expansiva de energias. Para Nietzsche, o homem ocidental tem seguido na direção do deus Apolo, mas tem se esquecido da paixão e da energia representada pelo deus Dionísio. As reflexões de Nietzsche - mais recentemente - foram recebidas em novas abordagens filosóficas e se movem ao encontro do "transumanismo" (movimento filosófico que visa transformar a condição humana - com o uso das novas tecnologias - às máximas potencialidades em termos de evolução humana, deixando em segundo plano a evolução biológica, alcançando o patamar de pós-humano). O “bode” e as “odes” estão novamente no teatro das tragédias. Na verdade sempre estiveram. Nunca se ausentaram da dramaturgia da vida. O bode de Dionísio até então dormia o sono do Olimpo, e os poetas em suas odes - apenas eles - resfolegavam libidos poéticos ao léu do espírito da dor e do sofrimento.

06.06.2021

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JORGE AMADO, GETÚLIO VARGAS, BEXIGA E O FOGARÉU DE LIVROS

Nos anos 1970 e 1980 li e reli quase toda a obra - composta de 49 títulos - do escritor baiano Jorge Amado (Jorge Leal Amado de Faria, 1912-2001) um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros de todos os tempos. Considero o romance “Capitães da Areia” (1937), a mais marcante de todos. Destaco ainda os romances “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, “Tenda dos Milagres”, “Tieta do Agreste”, “Gabriela, Cravo e Canela” e “Tereza Batista Cansada de Guerra”. Jorge Amado foi traduzido em 80 países e obteve sucesso também na TV, no teatro e no cinema. Integrou os quadros da intelectualidade comunista brasileira e também não escapou da queima universal de livros. Em 1937, durante o Estado Novo (1937-1946), por ordem direta do ditador Getúlio Vargas, teve queimados mil e oitocentos exemplares do livro “Capitães da Areia”, na Cidade Baixa de Salvador, a poucos passos do Elevador Lacerda e do atual Mercado Modelo. Getúlio Vargas “inaugurou” a sua “Comissão de Buscas e Apreensões de Livros do Estado de Guerra do Governo”, queimando em praça pública um dos maiores clássicos da literatura brasileira. O fogaréu era um símbolo do combate à "propaganda do credo vermelho", como definiram as autoridades do Estado Novo. Os exemplares queimados - na sua maioria - foram recolhidos das livrarias de Salvador - e iluminaram, aos olhos da fome, da miséria, da bexiga (varíola) e da turma do trapiche, uma das maiores tragédias da literatura brasileira. Dizem - não sei se é verdade - que no meio da multidão que assistiu ao extermínio estavam os espíritos de Pedro Bala, Dora, João Grande, Professor João José, Pirulito, Gato, Boa-Vida e outros.

03.06.2021

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WEFFORT, MÁRCIO SOUZA, JOSÉ ÁLVARO MOISÉS, OTTAVIANO DE FIORI, PAULO RENATO SOUZA E UM OLHAR SOBRE A CULTURA BRASILEIRA

Em 1998, Francisco Weffort e Márcio Souza, organizadores, publicaram a obra “Um Olhar sobre a Cultura Brasileira”, pela FUNARTE, Ministério da Cultura. O Presidente do Brasil era Fernando Henrique Cardoso; José Álvaro Moisés, o Secretário de Apoio à Cultura; e Ottaviano De Fiori (in memoriam), o Secretário de Política Cultural do Ministério da Cultura. Um time de primeira! Eu estava no meu segundo mandato na CNIC - Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), responsável pelas Áreas de Humanidades e Integradas. Durante o 1º Salão Internacional do Livro de São Paulo, em 1999, no Centro de Exposições Expo Center Norte, em São Paulo, o Ministro da Cultura Francisco Correia Weffort, com o jornalista, dramaturgo, editor e romancista amazonense Márcio Souza autografaram a obra “Um Olhar sobre a Cultura Brasileira”, numa concorrida tarde de autógrafos, no estande do MinC. Estavam presentes escritores, editores, profissionais do livro, jornalistas e o Ministro da Educação Paulo Renato (Paulo Renato Costa Souza, 1945-2011), que recebeu das mãos do Ministro Weffort o exemplar autografado de número 1. Paulo Renato recebeu o livro, agradeceu e me passou para segurá-lo. Um belíssimo livro, capa dura, com 472 páginas, impresso em couché, formato 21 x 28 cm. Eu acompanhava a comitiva do Ministro Weffort, juntamente com amigos da Câmara Brasileira do Livro, do MinC e da CNIC. Não vi quando o Ministro Paulo Renato se desgarrou do grupo. Encontramo-nos, depois, em Brasília, mas o livro autografado acabou ficando “esquecido” em São Paulo. O Governo FHC - segundo mandato - terminou em 2003, e nunca vingou a promessa de nos encontrarmos em São Paulo. O Ministro Paulo Renato faleceu em 2011. Guardo o exemplar autografado com o maior carinho e zelo, na certeza de que um dia fará parte do “Memorial Ministro Paulo Renato Costa Souza”, um dos mais importantes e lúcidos ministros da educação do Brasil.

30.05.2021

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CLAUDE LÉVI-STRAUSS E A OBRA “TRISTE TRÓPICOS”

A etnografia é o método utilizado pela antropologia na coleta de dados. Baseia-se no contato intersubjetivo entre o antropólogo e o seu objeto, seja ele uma aldeia indígena ou qualquer outro grupo social sob o qual o recorte analítico será feito. A base de uma pesquisa etnográfica é o trabalho de campo. O antropólogo, professor e filósofo Claude Lévi-Strauss (1908-2009) é considerado o fundador da antropologia estruturalista e um dos grandes intelectuais do século XX. Lévi-Strauss esteve no Brasil (1935 a 1939) onde escreveu “Tristes Trópicos” (Plon Editora, 1955) uma narrativa etnográfica romanceada, com excertos curiosos sobre sociedades indígenas brasileiras.  Lévi-Strauss dedicou parte da sua vida de antropólogo à tetralogia, “As Mitológicas - estudo dos mitos”: "O cru e o cozido" (1964), "Do mel às cinzas" (1967), "A origem dos modos à mesa" (1968) e "O homem nu" (1973). Claude Lévi-Strauss morreu em 30 de outubro de 2009, poucas semanas antes da data que completaria 101 anos. Encontra-se sepultado no Cimetière de Lignerolles, Lignerolles, na França.

30.05.2021

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