Vez por outra ele volta e dá o ar da graça. Não desiste nunca! Já esteve preso mais de cinco vezes, talvez mais. Não encontrei o seu histórico de crimes, sua ficha corrida. Disse-me um amigo: “Não tem cara de ladrão!”. Respondi: “Também pudera! Roubar livros não é para qualquer pé rapado!” Laéssio Rodrigues de Oliveira é conhecido e famoso no mundo dos livros. Nasceu em Teresina, no Piauí, em 15 de janeiro de 1973. Ainda criança mudou-se com a família do Piauí para São Bernardo do Campo, na região do ABCD paulista. Seu pai trabalhava como eletricista. Bebia muito e acabou morrendo atropelado em uma rodovia. Sua mãe ainda vive. Aos 15 anos de idade, assumiu-se gay. Desde criança, é fissurado por gibis e jornais. Conversa com conhecimento sobre cinema, música e livros raros. Na adolescência, apaixonou-se pela atriz e cantora Carmen Miranda (Maria do Carmo Miranda da Cunha, 1909 – 1955) e, desde então, coleciona tudo que pode sobre a cantora. Para alimentar a compulsão de fã, passou, então, a furtar documentos e livros raros. O primeiro crime aconteceu no Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo: roubou um exemplar da revista “Fon Fon”, da década de 1940, com o rosto de Carmen Miranda na capa. No ano de 1996, aos 23 anos de idade, conheceu seu primeiro cliente, o escritor e musicólogo Abel Cardoso Júnior (1938 – 2003), radicado em Sorocaba, interior de São Paulo, autor do livro sobre Carmen Miranda, “A Cantora do Brasil”. Declarou, quando foi detido: “Vendi todo meu acervo para ele. Larguei um emprego na prefeitura para viver disso”. Na virada do século, resolveu empreender: comprou uma barraca na Feirinha do Bixiga, reduto de colecionadores de antiguidades na cidade de São Paulo. Aconselhado por clientes, resolveu, então, trabalhar com documentos raros e livros antigos. É acusado de crimes nos estados da Bahia, Pará, Paraná e São Paulo. Declarou, ainda: “Para pegar livro, não é preciso matar ninguém, sequestrar ninguém. Sou alheio a violência, não gosto de violência”. Foi preso diversas vezes, com condenações que somam mais de 10 anos. Cumpriu pena no sistema prisional de Bangu, durante cinco anos. Durante o período que esteve em Bangu, montou uma biblioteca na penitenciária, depois de solicitar doações a diversas editoras. Recebi, na Scortecci Editora, um pedido seu de doação. Não atendi. Laéssio Rodrigues de Oliveira está solto, novamente. Foragido? Não sei. No último dia 27 de fevereiro de 2026, esteve na sede do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo – entidade fundada em 1894, dedicada à preservação e ao estudo da história paulista –, onde se apresentou como pesquisador, assinou livros de visita, mas acabou sendo reconhecido pelo presidente da instituição, o Prof. João Tomás do Amaral. O ladrão de livros desconfiou e fugiu, antes da chegada da polícia. Laéssio não desiste nunca. Vai voltar! Comentário do amigo sobre o famoso ladrão de livros, Laéssio Rodrigues de Oliveira: “Antes de levá-lo preso quero uma selfie com o homem, hoje com 53 anos de idade.”. Repito: roubar livros não é para qualquer intelectual. Precisa ser esperto! Um bibliocleptomaníaco raiz.
João Scortecci