A casa editorial britânica Hogarth Press foi fundada em 1917, pelo casal Woolf, Leonard Sidney Woolf (1880 - 1969) e Virginia Woolf (1882 - 1941). Durante o período “entreguerras”, a editora deixou de ser um passatempo e se tornou um negócio. Compraram impressoras gráficas e começaram a publicar e imprimir livros do “Grupo de Bloomsbury”, formado por artistas e intelectuais britânicos, que existiu entre 1905 e o fim da Segunda Guerra Mundial. Dentre seus membros mais conhecidos, estão Virginia Woolf, John Maynard Keynes, Clive Bell, E. M. Forster, Duncan Grant, Desmond MacCarthy e Lytton Strachey. A editora e gráfica Hogarth Press foi a pioneira na publicação de trabalhos sobre psicanálise e obras estrangeiras traduzidas, especialmente da língua russa. Em 1938, Virginia Woolf renunciou aos seus interesses no negócio, que passou a funcionar com uma parceria entre Leonard Woolf e o poeta John Lehmann (1907-1987), fundador dos periódicos New Writing e London Magazine. A parceria durou até 1946, quando passou a ser administrada pela Chatto and Windus, editora de livros, fundada na Era Vitoriana. Desde 1987, a Hogarth Press é um selo da The Crown Publishing Group, parte da Random House, Inc., uma das principais editoras em língua inglesa do mundo. Virginia Woolf estreou na literatura em 1915, com o romance The voyage out (A viagem), que abriu o caminho para a sua carreira como escritora e uma série de obras notáveis. Seus trabalhos mais famosos incluem os romances Mrs. Dalloway (1925), To the lighthouse (O farol) (1927), Orlando: a biography (1928). No final dos anos 1920, tornou-se uma escritora de sucesso, com reconhecimento internacional, mas caiu no ostracismo após a Segunda Guerra Mundial. Foi redescoberta por causa do livro-ensaio publicado em 1929, A Room of One's Own (Um teto todo seu), no qual se encontra a famosa citação "Uma mulher deve ter dinheiro e um teto todo seu, se ela quiser escrever ficção". Woolf foi uma das precursoras do uso do fluxo de consciência, técnica narrativa que simula o processo de pensamento desordenado e contínuo de um personagem, sem a intervenção direta de um narrador. Essa técnica literária marcou o estilo de Woolf, James Joyce e William Faulkner. Em 1941, com o estopim da Segunda Guerra Mundial, a destruição da sua casa em Londres e a fria recepção da crítica à sua biografia do amigo pintor e crítico de arte, Roger Fry (1866 – 1934), Virginia Woolf caiu em profunda depressão. Em 28 de março de 1941, aos 59 anos de idade, vestiu seu casaco, encheu os bolsos com pedras, caminhou em direção ao Rio Ouse, perto da sua casa, em North Yorkshire, no Reino Unido, e se afogou. Antes de cometer suicídio deixou um bilhete para o marido Leonard Sidney Woolf: “Tenho certeza de que estou enlouquecendo novamente. Sinto que não podemos passar por outro desses momentos terríveis. E desta vez não vou me recuperar. Começo a ouvir vozes e não consigo me concentrar. Então, estou fazendo o que me parece a melhor coisa a fazer. Você me deu a maior felicidade possível. Você foi, em todos os sentidos, tudo o que alguém poderia ser (...)” . Seu corpo foi encontrado três semanas mais tarde, em 18 de abril de 1941, por um grupo de crianças, perto da ponte de Southease, no Sudeste da Inglaterra.
João Scortecci