APOCATÁSTASE E OS MITOS APOCALÍPTICOS

Dos mitos abundantes! Na obra “História Universal da Destruição dos Livros” do poeta e escritor venezuelano Fernando Baez: “Em busca de uma teoria sobre a destruição de livros, descobri, por acaso, que são abundantes os mitos que relatam cataclismos cósmicos para explicar a origem ou anunciar o fim do mundo. Observei que todas as civilizações entendem sua origem e seu fim como um mito de destruição, contraposto ao da criação, num modelo cujo eixo é o eterno retorno. A apocatástase (volta a um estado ou condição anterior ou inicial) tem sido um recurso para defender o fim da história e o início da eternidade.” Destruição e criação - parecem ser - além da existência e da própria sobrevivência as duas únicas alternativas do universo humano. Aqui cabe a máxima: “os deuses desconhecem os segredos da imortalidade.” Voltando ao “Prólogo” do livro do Fernando Baez sobre sistêmica “roleta” de destruição dos livros: “Alguns porque acreditavam que, eliminando os vestígios do pensamento de uma determinada época, estariam promovendo a superação do conhecimento humano. Outros, mais modestos, lançavam ao fogo suas obras simplesmente por vergonha do que haviam escrito. No entanto, os principais destruidores de livros sempre tiveram como maior motivação o desejo de aniquilar o pensamento livre. Os conquistadores atribuíam à queima da biblioteca do inimigo a consagração de sua vitória.”

15.05.2021


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DESTRUIDORES DE LIVROS: AQUELES QUE QUEIMAM LIVROS, ACABAM CEDO OU TARDE POR QUEIMAR HOMENS!

O poeta alemão Heinrich Heine (Christian Johann Heinrich Heine, 1797-1856) é conhecido na literatura como “o último dos românticos”. Nasceu numa família judia, em Düsseldorf, cidade da Alemanha conhecida pela indústria da moda, das telecomunicações e pelo cenário artístico e cultural da região. Heine estudou Direito - chegou a frequentar três universidades - mas descobriu muito cedo que gostava mesmo de literatura. Em 1825 converteu-se do judaísmo para o cristianismo luterano, nomeando-se a si próprio pelo nome de Heinrich Heine. Fez a sua estreia literária em 1821, publicando o livro de poemas "Gedichte". A paixão não correspondida por suas primas - Amalie e Therese - inspiraram-no a escrever, em 1827, o "Livro das canções", sua primeira grande coletânea de versos. Em 1831 trocou a Alemanha por Paris onde sofreu influência dos socialistas utópicos (corrente de “visões e contornos” para as sociedades ideais imaginárias ou futuristas). Seus escritos geraram desconforto nas autoridades alemãs e Heine foi tido como um “subversivo” e sofreu duramente com a censura. Suas obras foram banidas da Alemanha e ele proibido de voltar a viver em sua terra natal. A opção por Paris, a principio foi voluntária, pois acreditava que encontraria na capital francesa maior liberdade de expressão e maior compreensão de suas ideias, o que de fato aconteceu. Foi um crítico mordaz da religião: "Ópio do povo!" Em relação à censura sofrida, Heine proferiu uma de suas mais conhecidas citações: “Aqueles que queimam livros acabam cedo ou tarde por queimar homens.”

14.05.2021

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A BIBLIA MALDITA E OS SUSSURROS DO DEMÔNIO TITIVILLUS

Os “amanuenses” também cometem erros! “Amanuenses” ou “copistas” são aqueles que copiam textos ou documentos à mão. A palavra provém do latim “amanuensis” uma derivação da expressão latina "ab manu" (à mão). Ontem pesquisando e escrevendo sobre “O Legado de Gutenberg” dei de cara com a história da “Bíblia Maldita”, edição publicada em 1631, por ordens de Carlos I, Rei da Inglaterra. Uma edição pequena, de mil exemplares, que causou aos editores responsáveis pela publicação uma multa de 300 libras - equivalente a algo próximo de 45 000 libras nos dias atuais - além da revogação do direito de imprimir a Bíblia.
A obra foi impressa com um terrível e maldito erro tipográfico cometido pelos “amanuenses” quando a transcreveram do original. Passou batido! Ao transcreverem os “dez mandamentos” omitiram a palavra "não", desta forma dando ao texto a redação "cometerás adultério". Os exemplares desta edição maldita continham também um segundo erro: "cometerás atos impuros". Os exemplares - recolhidos e amaldiçoados - foram queimados em praça pública. Poucas cópias escaparam da fúria dos fieis.
Hoje - cópias salvas - da “Bíblica Maldita” são consideradas raridades e altamente valiosas por colecionadores. Uma única cópia da “Maldita” encontra-se na New York Public Library (Biblioteca Pública de Nova Iorque). Erros em livros são atribuídos ao demônio “Titivillus”, que supostamente sussurram “pecados” nos ouvidos de escritores, revisores e editores. 

11.05.2021

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GUTENBERG E A BÍBLIA DE LETRAS GÓTICAS

O escritor, sacerdote, missionário e tradutor Úlfilas (310-383) foi um godo (povo da Germânia - Alemanha - que invadiu os impérios romanos do Ocidente e do Oriente, do século III ao V) e meio-grego da Capadócia (região da Anatólia Central, na Turquia). Viveu no Império Romano no auge da “controvérsia ariana” que dividiu a Igreja cristã desde um pouco antes do “Concílio de Niceia” até depois do “Primeiro Concílio de Constantinopla”, em 381. A mais importante dessas “controvérsias” tem a ver com a relação entre “Deus Pai e Deus Filho”.
Úlfilas, considerado o “apóstolo dos godos”, traduziu a Bíblia do grego (fragmentos dessa tradução sobreviveram no Códice Argênteo, que está desde 1648 na Biblioteca da Universidade de Uppsala, na Suécia) para a língua gótica e, para isso, criou o alfabeto gótico. “Minúscula Carolíngia” ou “Minúscula Carolina” é uma caligrafia desenvolvida durante a Idade Média com o objetivo de se tornar o padrão caligráfico europeu. A sua criação fez parte de um conjunto de reformas na educação impulsionadas por Carlos Magno, entre finais do século VIII e início do século IX, e usada no Sacro Império Romano-Germânico. A reforma pretendia aumentar a uniformidade, clareza e legibilidade da caligrafia, de forma tal que o alfabeto latino pudesse ser facilmente lido entre as várias regiões.
A escrita ou letra gótica é o tipo de letra angulosa e com linhas quebradas, originada entre os séculos XII e XIII, a partir do “fraturamento” paulatino das formas manuscritas da escrita carolíngia. Foi usada na Europa Ocidental desde 1150 até 1500.
O alfabeto gótico (ou godo) criado pelo bispo e tradutor Úlfilas é o alfabeto manuscrito que surgiu na Idade Média a partir do alfabeto grego. O termo "gótico" vem do latim medieval “gotticu” e é um adjetivo que designa o que é proveniente, relativo, criado ou usado pelos “godos”, assim denominado o povo da respectiva tribo germânica. Cada letra do alfabeto tem um valor numérico. Para sobressaírem os sons que o grego não tinha, Úlfilas recorreu aos “signos rúnicos”. O alfabeto gótico é dividido em dois grupos para as letras minúsculas. Grupo 1: a, c, e, i, m, n, o, r, u, v, w, x, t , l, f e p. Grupo 2: b, d, g, h, k, q, s, y e z.
O alfabeto gótico teve existência efêmera (um termo grego que significa: apenas por um dia). Efemeridade universalizada por meio da Bíblia de Gutenberg.

11.05.2021

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O LEGADO DE GUTENBERG / JOÃO SCORTECCI

 O inventor Johannes Gutenberg (Johannes Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg) nasceu no dia 24 de junho (data simbólica escolhida na época do 500º. aniversário do “Festival de Gutenberg” no ano de 1900), entre os anos de 1394 e 1404, na cidade alemã de Mainz ou Mogúncia, às margens do Rio Reno, no coração da Alemanha. Era filho de um rico comerciante de nome Friele Gensfleisch zur Laden, que trabalhava como ourives na Casa da Moeda Eclesiástica Católica, e de Else Wyrich, sua segunda esposa, filha de um lojista da região. 

Interessado pelas ciências e pelas artes, Gutenberg gostava de ler e estudar e cultivava a “sina” de fabricar livros com o objetivo de barateá-los, possibilitando assim acesso e oportunidade para muitos. 

Gutenberg desenvolveu um sistema mecânico de tipos móveis, e sua invenção, que deu início à Revolução da Imprensa, contribuiu de forma decisiva para o sucesso da Reforma Protestante de Martinho Lutero e para a popularização do livro impresso no mundo. Foi eleito por jornalistas americanos e europeus “O homem do milênio”.

Com 20 anos de idade, Gutenberg mudou-se para Estrasburgo, cidade na fronteira franco-alemã. Entre as atividades de que se ocupou estão a ourivesaria e a produção de lembranças para romeiros que visitavam a cidade. 

Em 1437, foi chamado à Justiça por Ana Eisernen Thur, pela promessa de casamento não cumprida. Não fugiu ao compromisso e - mesmo a contragosto - casou-se com ela. Não há registros do nascimento de filhos ou mesmo registro de terem compartilhado vida conjugal. Empobrecido e impedido de ler e estudar, dedicou-se - durante 30 anos - ao invento da imprensa com um único propósito: fabricar livros! 

Entre suas muitas contribuições para a imprensa, estão: a invenção de um processo de “moldes” de produção de tipo móvel, a utilização de tinta à base de óleo e a utilização de uma prensa de madeira similar à prensa de parafuso agrícola. Sua invenção - simples, mas funcional e eficiente - e a combinação dessas três “engenhocas” possibilitaram o surgimento da "Das Werk der Buchei” ou “Fábrica de Livros”.

Gutenberg foi o segundo a usar a impressão por tipos móveis, por volta de 1439. O primeiro foi o artesão chinês Bi Sheng (990-1051 d.C.), no ano de 1040, e é considerado o inventor global da prensa móvel. O sistema de impressão de Bi Sheng - feito de tipos de porcelana - é uma das quatro grandes invenções da China Antiga, juntamente com a bússola, a fabricação do papel e a pólvora. Essas quatro descobertas tiveram um enorme impacto no desenvolvimento da civilização chinesa e global.

A história da impressão sobre papel começou, portanto, na China, no final do século II da Era Cristã. Os chineses sabiam fabricar papel, tinta e usar placas de mármore com o texto entalhado como matriz. No século VIII, começaram a comercializar o papel como mercadoria no mundo árabe. A técnica de fabricação do papel foi revelada aos árabes por prisioneiros chineses. No século XIII, as fábricas de papel proliferaram na Ásia Menor (Iraque e Região) e na Espanha, então sob o domínio mouro.

A “imprensa” propriamente dita já existia. Ao que consta, as primeiras ideias sobre imprensa ocorreram a Gutenberg quando observava um anel com o qual os nobres selavam documentos, neles imprimindo o brasão da família. Esse anel tinha o brasão escavado em metal ou pedra preciosa e deixava uma impressão em alto-relevo sobre o lacre quente. 

Por volta de 1450, Gutenberg juntou tipos, papel, prensa e tinta numa só “engenhoca”. Para isso, só teve de usar a cabeça para juntar várias técnicas: moldes que possibilitaram a fabricação dos tipos (pequenos blocos metálicos esculpidos em relevo: letras reutilizáveis, agrupadas para formar textos), tinta (óleo de linhaça e negro-de-fumo, que marcava o papel sem borrar) e uma prensa movimentada por uma barra, que movia a rosca e o prelo - para cima e para baixo - aplicando pressão sobre o papel, numa superfície com tinta.

Foi assim que Gutenberg imprimiu várias imagens de São Cristóvão e as levou ao bispo de Estrasburgo, que ficou impressionado com a simetria e a perfeição das imagens do Santo. Gutenberg, fazendo segredo de seu invento, saiu da “conversa” carregado de encomendas e com um livro emprestado, nunca devolvido. Cunhou as letras individualmente (primeiro em madeira, depois em chumbo fundido) e amarrou a “composição” numa caixa vazada de madeira. A primeira prensa utilizada foi uma adaptação mecânica de uma prensa que servia para produzir vinhos pressionando o papel com tinta contra o caixote de tipos. 

Estava inventada a impressão tipográfica, uma tecnologia que sobreviveria com poucas modificações até o século XIX. A “engenhoca” de Gutenberg revolucionou a cultura e o conhecimento humano e deu por encerrado - magistralmente - o período das trevas da Idade Média, que se iniciou com a queda do Império Romano do Ocidente, em 476, e terminou com a tomada de Constantinopla pelos turcos, em 1453.

Pouco se sabe sobre a vida de Gutenberg - além de alguns documentos comerciais e judiciários, sua oficina gráfica e a impressão de sua magnífica “Bíblia”. Esses documentos possibilitam deduzir que gastou todo o dinheiro de que dispunha, antes que chegasse a produzir qualquer coisa que lhe proporcionasse renda e lucro. 

Por volta de 1438, formou uma sociedade com três burgueses da cidade, Andreas Dritzehn, Hans Riffe e Andreas Heilmann. Começou publicando folhetos e livretos religiosos, mas a morte de Dritzehn naquele mesmo ano lhe trouxe problemas com a Justiça. Os irmãos de Dritzehn processaram Gutenberg, porque queriam herdar o direito de entrar na sociedade. Perderam a causa, mas o longo e demorado processo na Justiça esgotou todas as suas economias.

Em 1448 - já com 50 anos de idade - conseguiu o patrocínio de um financiador chamado Johann Fust - a quem confiou o segredo da invenção - para imprimir seu primeiro livro. Fust investiu 800 florins no negócio, uma soma considerável na época. Dois anos depois, mais 800 florins. Fust - não vendo futuro no negócio - executou, em 1455, a impagável dívida. Gutenberg foi à falência. A oficina gráfica caiu nas mãos de Johann Fust (investidor e banqueiro) e de Peter Schöffer (genro de Fust e também artesão de tipos).

Em 1456 publicaram - finalmente - o primeiro livro impresso: a chamada “Bíblia”, da tradução latina conhecida como “Vulgata”, feita por São Jerônimo no século IV. A “Bíblia” foi impressa em 42 linhas (em colunas duplas), caligrafia gótica, com 1282 páginas e tiragem de 180 exemplares (45 em pergaminho e 135 em papel). As letras maiúsculas e os títulos foram ornamentados à mão e coloridos. A obra foi publicada sem data, nem local ou nome dos impressores. É, oficialmente, a “Bíblia de Fust e Peter”. Mas, fazendo justiça ao seu verdadeiro autor, foi apelidada de “Bíblia de Gutenberg”.

Gutenberg só escapou da ruína total, graças à proteção de um funcionário municipal de Mainz, Konrad Humery, que lhe ofereceu os meios de montar outra oficina de impressão. Em 1462, voltou a Estrasburgo e, três anos depois, para sua terra natal, sob a proteção do arcebispo Adolfo II, que lhe proporcionou uma pensão, roupas, comida e vinho.

Johannes Gutenberg faleceu no dia 3 de fevereiro de 1468, com aproximadamente 70 anos de idade. Seu legado faz parte da lista das dez maiores invenções da humanidade.

João Scortecci

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DAS AGLUTINAÇÕES IMEXÍVEIS

Coleciono “aglutinações” num caderninho azul. Tenho “pérolas” de que não abro mão - mesmo depois de 30 anos.  Uma raridade em destaque: “O plano é imexível” declaração do ex-ministro do Trabalho e da Previdência Magri (Antônio Rogério Magri) tentando justificar o “inexplicável” Plano Collor. Hoje lendo a coluna da jornalista Carla Araújo encontrei uma amálgama (junção consciente e criativa de duas ou mais palavras) perfeita e imexível: “Sincericídio” e a manchete: “Governo teme - sincericídio - de Guedes na CPI e quer barrar convocação.” "Sincericídio" é uma expressão que pontua uma situação de exposição de uma verdade relativa com opiniões e julgamentos sem considerar o sentimento do receptor ou a conveniência social. Em outras palavras: falar a “verdade” nem sempre é prudente. Uma bomba-relógio! No Caso de Paulo Gudes, ministro da Economia do Brasil, o imbróglio não é ele falar ou não a verdade ou mentir ou não. Sabemos do que Guedes é capaz. Temem-se os “imexíveis” exemplos de que o ministro gosta e costuma usar para explicar e justificar suas aglutinações do pensamento. Quem milita na política sabe do segredo: evitar, ao falar, citações, comparações e exemplos! Mentir pode. Faz parte!

06.05.2021

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ZÉ DO ISQUEIRO – UM PIROBOLOGISTA DE PEDRO II

Conheci - nos anos 60 - um pirobologista. Magro e alto. Piscava muito e carregava entre os dedos um isqueiro de prata. “Filho isso não é profissão. É suicídio!” Desisti da sorte depois que o Zé do Isqueiro, profissional de artefatos explosivos, “detonou-se” deste mundo, num piscar de olhos. Uma tragédia! Zé do Isqueiro morreu “chamuscado” e seu corpo virou uma tocha de luzes, gases, fumaça e calor. Foi nessa época que tentei então a sorte de goleiro - de Castilho Voador - e na pior - uma sombra de goleiro Manga. Até passei numa “peneira” para goleiro no time juvenil do Ceará. Desisti do jogo depois que “descobriram” que eu só “voava” para o lado esquerdo do gol. A pirotecnia de criança, então, limitou-se - apenas - em soltar balões com buchas de parafina, bombas rasga-latas e rojões de três tiros. Em 1969 - num sábado de julho - foi a minha vez de “explodir”, tocar fogo no quarto e abrir uma cratera na barriga. “O que aconteceu?” Deu azar! Respondi. Hoje lendo sobre a coroação de Pedro II - em 18 de Julho de 1841 - dei de cara com a alma penada do Zé do Isqueiro. Os festejos da coroação de Pedro II duraram nove dias. Uma farra imperial! O fogaréu ficou aos cuidados do pirobologista Francisco de Assis Peregrino. Um mestre estudado na Europa! Um palacete (erguido para a coroação de D. João VI em 1818) explodiu e pegou fogo. Os edifícios que estavam ao redor tiveram as suas vidraças estilhaçadas. Quatro pessoas morreram na tragédia. Entre os mortos o próprio Peregrino. Na hora do fogaréu o representante do Império Austríaco - Barão Daiser - profetizou: “O golpe de vista no momento em que o imperador se apresentou ao povo da balaustrada da varanda era magnífico e, possivelmente, incomparável.” Até então o Barão Daiser não sabia que o palacete de D. João VI havia ido ao suicídio num piscar de olhos.   

05.05.2021


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DAS DESCRENÇAS E DAS INSTABILIDADES DO ÓBVIO ULULANTE

O negacionismo - crença, fuga ou rejeição - é a “escolha” de negar a realidade de uma verdade desconfortável. Cresce e arrebanha seguidores diante de situações de instabilidade, como uma crise ou algo novo, desconhecido, nunca antes presenciado. Há estudos que afirmam tratar-se de um fenômeno cíclico: síndrome do desconhecido! Trata-se da recusa em aceitar uma realidade empiricamente verificável e incontestável. O “negacionismo” rejeita conceitos básicos, primários, científicos e incontestáveis. O movimento encontra sustentação em teorias e discursos conspiratórios que acabam favorecendo disputas ideológicas, interesses políticos e religiosos. O “negacionismo”, além de criar polêmicas retóricas, usa a antiga e bem-sucedida estratégia de minar o coletivo com a cunha da dúvida. Lendo sobre ser um fenômeno cíclico e mais comum do que se imagina, encontrei algo que me fez escrever o post de hoje: o crescimento do “negacionismo” em tempos de crise e instabilidade costuma anteceder às catástrofes e tragédias no caminho cíclico da humanidade. Seria um aviso ululante que ulula, que uiva, grita, berra e emite sons de lamento? O escritor, jornalista e teatrólogo Nelson Rodrigues (1912-1980) na obra “O óbvio ululante” questiona a tudo isso: “algo que é óbvio, de clara observação e contestação, que está - na cara - e as pessoas não enxergam.”

01.05.2021

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ALIGHIERI INESPERADO INVADE AREZZO

 Em 2021 comemoram-se 700 anos da morte de poeta florentino Dante (Dante Alighieri, 1265-1321). Dante é considerado o primeiro e maior poeta da língua italiana, definido como "o sumo poeta". “A Divina Comédia” é um poema de viés épico e teológico da literatura italiana e mundial, escrito no século XIV e dividido em três partes: o Inferno, o Purgatório e o Paraíso. Uma curiosidade: Dante escreveu primeiro - de sua trilogia - “Inferno”. “Purgatório” veio depois e “Paraíso” já no final da sua vida. A Divina Comédia é a fonte original mais acessível para a cosmovisão medieval (cognitiva fundamental de um indivíduo, de uma coletividade ou de toda uma sociedade, num dado espaço-tempo e cultura, a respeito de tudo o que existe - sua gênese, sua natureza, suas propriedades), que dividia o Universo em círculos concêntricos (Esfera armilar - instrumento de astronomia aplicado em navegação que consta de um modelo reduzido do cosmo). A Divina Comédia está dividida em 33 cantos, com mais um a título de introdução, a obra soma 100 cantos, número que significaria a perfeição da perfeição. Além do próprio Dante, três são os personagens principais: Virgílio, guia no inferno e purgatório, Beatriz guia no paraíso terrestre (sua amada de infância) e São Bernardo, guia nas esferas celestes. A Divina Comédia propõe que a Terra está no meio de uma sucessão de círculos concêntricos que formam a “Esfera armilar” e o meridiano onde é Jerusalém hoje, seria o lugar atingido por Lúcifer ao cair das esferas mais superiores e que fez da Terra Santa o Portal do Inferno. Na biografia do poeta - em comemoração aos 700 anos de sua morte - lançada na Itália, 2021 - mostra um Dante Alighieri inesperado, cavaleiro, vestido com armadura, montado em seu cavalo e portando lança, espada e escudo, aguardando na primeira fila, junto a outros 600 cavaleiros, o início da batalha. Faz parte do exército de Florença e pretende invadir as terras de Arezzo, cidade próxima, em defesa da supremacia papal. 

26.04.2021

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DAS DIFERENÇAS DE TUDO E DE TODOS

Das diferenças. Em tudo e de todos. Crenças: luz, penumbra e escuridão. Eu as tenho no corpo da alma e no espírito do corpo. Eu as “entrego” aos atos do dia, as atitudes do destino e aos valores do que me parece justo. Julgo-me e me deixo julgar. Eu sei, eu sinto eu quero! As pessoas que amo, respeito e admiro são diferentes de mim. Outras cabeças! Melhor assim. Digo não aos iguais do bando. Acredito na diversidade. Explico: “O meu comum é fraco, sofrido e bate incomum”. Escrevo com a cumplicidade de ilhas e mares. Sou nau que segue na trilha das estrelas, na cauda do cometa, no rumo do caminho sem porto. Eu navegante das diferenças, eu viajante de tudo e de todos. Uma simples certeza: navegar não é preciso! Tenho no corpo da alma o espírito do corpo.

25.04.2021

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