AKASHA E O PENTAGRAMA DAS ESTRELAS

No espaço do céu - o amuleto - de proteção contra demônios. Uma figura na boca do universo. Presença - um firmamento - e chamamento aos olhos da noite. Um colar - um infinito traço - de linha única de cinco pontas. Estrela: fluido cósmico universal. Pentagrama! Amuleto antimaldade. Akasha significa céu e uma das pontas do amuleto. O éter do hausto divino. Casulo onde estão armazenados todos os conhecimentos e feitos humanos, desde os primórdios do nada. Memória da humanidade e seus cinco elementos da natureza: Ar, Fogo, Água, Terra e Akasha: espírito, sopro e alma. Akasha - princípio original dos sentidos: audição, visão, tato, cheiro e paladar. Akasha e os ciclos da vida: nascimento, infância, maturidade, velhice e morte. No espaço do céu - o amuleto - de proteção contra demônios. Na figura do pentagrama um firmamento de estrelas e pontas do éter e do hausto divino. 

15.04.2021


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Poesia não dorme. Adormece!

Poesia não dorme. Adormece! Há quem diga que ela tira pestanas e finge o sono do instante que lhe cabe. Coisas da hora. Brinca de ausências e até de instantes: todos de vida e morte! Relendo fotos do meu antigo rosto não me demoro nas recordações e nem nas lembranças do tempo. Tudo continua impressões de traços e marcas na pele. Poesia não dorme. Adormece! Não me demoro no perfil: tardei de mim. Acontece. Poesia é isso e aquilo: nos chama no melhor do amanhã.

14.04.2021

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GATOS, PASSARINHOS E A CONJUNÇÃO DE JÚPITER E SATURNO

Vovó Chiquinha - que não nasceu no papel - morreu “passarinho” e caduca. Na família criou tias e sobrinhas. Na verdade cuidou do coração mundo: “Gatos comem ratos e passarinhos comem as baratas.” É tudo - e mais nada, além do amor - que precisamos saber sobre os segredos da natureza. A peste negra - surto de peste bubônica atingiu a Europa ao longo do século XIV - matou 200 milhões de pessoas, atingindo o “pico” entre os anos de 1347 e 1351. O poeta e astrônomo belga Simon de Covino - por volta de 1350 - no poema de nome "Sobre o julgamento do sol em uma festa de Saturno" atribuiu a peste a uma conjunção de Júpiter e Saturno: “próximos e juntos - luz que cega - em uma única estrela da morte.” Na caça aos hereges - filhos de Júpiter e Saturno - Gregório IX organizou a Inquisição de Covino: estrela da morte (Inquisição) promulgando, em 1233, a Bula “Licet ad capiendos” de investigação, julgamento, condenação e absolvição dos “hereges”. A “Inquisição de Covino” durou seis séculos e atuou de forma bárbara, atingindo as esferas políticas, econômicas, sociais e culturais. Gregório IX - não satisfeito - emitiu a bula papal “Vox in Rama” ordenando o massacre de gatos - vistos como demoníacos - e a própria personificação do diabo. Sobre o julgamento do sol - ratos e pulgas - ganharam Júpiter e Saturno. A doença da peste - ou da ignorância negacionista - jamais caducou, infelizmente. É enzoótica! Vovó Chiquinha - que não existiu no papel - abriu a gaiola dos pássaros, alimentou os gatos e partiu no dia da estrela de natal.

10.04.2021

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LARGO DA PÓLVORA, EXECUÇÕES PÚBLICAS E O ESPÍRITO DA DOR

O Largo da Pólvora (no local, século XVIII, existia um armazém de explosivos e era palco para execuções públicas) é uma praça localizada no centro da cidade de São Paulo, no distrito da Liberdade. Nele o Prédio Jahu, um jardim ao estilo oriental, três lagos de peixes ornamentais e os bustos de Ryu Mizuno, pai da Imigração Japonesa no Brasil e Umpei Hirano, fundador do primeiro núcleo Japonês no Brasil, Colônia Hirano, na cidade de Cafelândia, interior de São Paulo, no ano de 1915. Visitei o Largo da Pólvora no ano de 1977, quando colaborador de uma empresa de proprietário japonês, que comercializava equipamentos pra escritório, meu primeiro e único emprego, antes de fundar a Scortecci, no ano de 1982. Lembro-me que fiquei encantado com a beleza do lugar, as carpas nos lagos - limpos - e o clima exótico e oriental do espaço. Revisitei o “Largo da Pólvora” ano passado, no início da pandemia da Covid-19 e observei sinais de abandono. Hoje voltei e a decepção foi total. Abandono, sujeira, bancos pichados e carpas mortas, apodrecidas, boiando no tempo. Localizei no “espírito da pólvora” o armazém de explosivos e também o palco de execuções públicas. Estavam lá. Sombras no ar e cheiros de dor. O pedal de hoje foi triste. Contornei as Ruas Tomás Gonzaga e Américo de Campos e subi pela Avenida da Liberdade, na direção do caminho de volta.

05.04.2021

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CAMARÁS, CÓRREGO DAS PACAS, ÉBRIO E MACUNAÍMAS

“Camaragibe” significa "rio dos camarás" (camará: a planta + rio) arbusto que cobre grandes áreas nas Américas Central e do Sul, seu habitat natural. Do “Memorial da América Latina” (Barra Funda, São Paulo) avistei - do outro lado da Avenida Pacaembu (córrego das pacas) - uma pequena praça até então “não notada” por mim. Desatenção! Atravessei a Avenida Pacaembu, subi a Rua Mário de Andrade, entrei na Rua Lopes Chaves (lado oposto à casa onde viveu Macunaíma) e entrei à esquerda, na Rua Rio dos Camarás, mais conhecida como Rua Camaragibe, acesso ao meu destino: Praça Vicente Celestino (Antônio Vicente Filipe Celestino, 1894-1968). Sombra, silêncio, bancos e muita paz. Bebi água do ébrio. Na cabeça - lembranças da vida - e no coração: versos de infortúnios: “Tornei-me um ébrio na bebida, busco esquecer aquela ingrata que eu amava e que me abandonou / Apedrejado pelas ruas vivo a sofrer / Não tenho lar e nem parentes, tudo terminou / Só nas tabernas é que encontro meu abrigo / Cada colega de infortúnio é um grande amigo / Que embora tenham, como eu, seus sofrimentos / Me aconselham e aliviam os meus tormentos...” São Paulo é infinita! Pacas, camarás, macunaímas, ébrios e memórias. Celestinas.

04.04.2021

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PEDAL CULTURAL EM MARMORE DA BELLE ÉPOQUE

“A Menina e o Bezerro”, escultura em mármore, base em granito, do artista carioca Luiz Christophe (1863-1917), Largo do Arouche, ao lado do Mercado das Flores, próximo da Academia Paulista de Letras. Luiz Christophe foi aluno da Academia Imperial de Belas Artes. Morou em Paris durante vários anos. A obra foi adquirida pela prefeitura de São Paulo durante a gestão do pernambucano Raymundo da Silva Duprat (1863-1926). Duprat tinha o título de “Barão” por parte da Santa Sé por meio do Papa Pio X. Foi ator do “Theatro São José”, gráfico, sócio da “Tipografia & Papelaria Duprat e Cia” e vereador. Foi prefeito interino durante a gestão Antônio da Silva Prado e o segundo prefeito da história da cidade de São Paulo. Duprat foi um grande incentivador das artes e responsável por um grande número de esculturas das praças e parques da Cidade de São Paulo. Na sua administração destacam-se a construção do Parque Trianon, do viaduto Santa Ifigênia e urbanização do Vale do Anhangabaú. Luiz Christophe (Carioca) e Raymundo Duprat (Pernambucano) nasceram no mesmo ano e - é o que dizem - se conheceram na “euforia e efervescência” de Paris, durante a Belle Époque.  

02.04.2021


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LENDO MARCOS REY, PALMA, MÁRIO DE ANDRADE E A UBE DOS ANOS 90

Conheci Marcos Rey (Edmundo Donato, 1925-1999) nos anos 1980. Ficamos amigos e, sempre que possível, nos encontrávamos nas noites literárias da pauliceia desvairada. Era de um bom humor invejável. Estava sempre sorrindo. Por um longo tempo frequentamos a UBE (União Brasileira de Escritores) e trabalhamos juntos na comissão do Prêmio Juca Pato - Intelectual do Ano. Em 1996, Marcos Rey foi indicado ao Troféu Juca Pato - prêmio que ajudou a criá-lo, em 1962 - com a publicação da obra "Os crimes do olho-de-boi.” Eu, João Batista Sayeg, Marigê Marchini e Caio Porfírio Carneiro abrimos a lista de indicação ao troféu, com as assinaturas de trinta sócios da entidade. Marcos Rey morreu no dia 1º de abril de 1999 e até hoje seus livros são sucessos de venda. Mais recentemente fiquei sabendo do falecimento da Palma (Linda Palma Bevilacqua Donato) viúva do Marcos Rey, aos 90 anos. Palma era o anjo da guarda de Marcos. Estavam sempre juntos. Inteligente e de um coração maravilhoso. Gostava de livros e era uma leitora voraz. Nos anos 2000, depois da morte do Marcos Rey, me ligou perguntando sobre publicação de livro. Estava escrevendo suas memórias. Traga que eu publico, respondi. “Não está pronto. Estou ainda colocando a vida no papel”, respondeu. Mais tarde fiquei sabendo que teve um AVC e o tempo passou. Não sei se concluiu ou não o livro. Marcos Rey amava São Paulo. Antes de morrer deixou dois pedidos inegociáveis: ser cremado e que suas cinzas fossem espalhadas em um lugar que houvesse "pedra e concreto". Marcos Rey foi cremado e Linda Palma - sua amada “olho-de-boi” - sobrevoou São Paulo, em um helicóptero e espalhou suas cinzas no céu, da Sua, Nossa, de Mário de Andrade e de muitos - e eterna “Pauliceia Desvairada”.

01.04.2021


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ESCRITA AUTOMÁTICA: ANDRÉ BRETON E OCTAVIO PAZ

A “Escrita automática” é um método criado pelos dadaístas (movimento artístico da chamada vanguarda artística moderna iniciado em Zurique, em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial, no chamado Cabaret Voltaire) e “defendido” pelo poeta normandiense André Breton (1896-1966) e pelo poeta romeno Tristan Tzara (1896-1963) que objetiva evitar os pensamentos conscientes do autor, através do fluxo do inconsciente. Por meio da “escrita automática” o eu do poeta se manifestaria livremente de qualquer repressão da consciência e deixaria crescer o poder criador do homem fora de qualquer influxo castrante. Seu propósito é vencer a censura que se exerce sobre o inconsciente, libertando-o através de atos criativos não programados e sem sentido imediato para a consciência, os quais escapam à vontade do autor. No Brasil, a “escrita automática” chegou nos anos 20, através de Prudente de Morais Neto e Sérgio Buarque de Holanda. O poeta, ensaísta, tradutor e diplomata mexicano Octavio Paz (Octavio Paz Lozano, 1914-1998), Nobel de Literatura de 1990, testemunhou e viveu o movimento surrealista, sofrendo grande influência de André Breton, de quem foi amigo. Em sua criação, experimentou a “escrita automática”, tendo praticado posteriormente uma poesia ainda vanguardista, porém concisa e objetiva, voltada a um uso mais preciso da função poética da linguagem. Dois Corpos: “Dois corpos frente a frente são às vezes raízes na noite enlaçadas. Dois corpos frente a frente são às vezes navalhas e a noite um relâmpago. Dois corpos frente a frente são dois astros que caem num céu vazio.”

31.03.2021


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JOFRE, TENÓRIO, GRACILIANO, NELSON E A CADELA BALEIA

O ator Jofre Soares (José Jofre Soares, 1918-1996) nasceu em Palmeira dos Índios, agreste alagoano, distante 136 km da Capital, Maceió. Terra Do “Homem da Capa Preta” (Tenório Cavalcante, 1906-1987) e do escritor Graciliano Ramos (1892-1953), autor de Vidas Secas e Memórias do Cárcere. Jofre Soares começou sua carreira de ator em 1961, aos 43 anos. Atuou em mais de 100 filmes, entre eles: O Bom Burguês (1979) O Grande Mentecapto (1989), Terra em Transe (1967), Memórias do Cárcere (1984) e Bye Bye Brasil (1979). Antes disso foi oficial da Marinha por 25 anos. Já tinha se aposentado como marinheiro e se dedicava ao teatro amador e ao circo da cidade, no qual era um palhaço, quando o cineasta Nelson Pereira dos Santos (1928-2018) o conheceu e o convidou para fazer o filme “Vidas Secas”, baseado na obra de “Graciliano Ramos”. A cadela vira-lata, que interpreta Baleia, foi encontrada por Nelson embaixo de uma barraca de uma feira de Palmeira dos Índios. Uma das cenas mais famosas de “Vidas Secas” é o abatimento da cadela Baleia, onde é mostrado o animal sendo atingido por um tiro de espingarda dado por seu dono Fabiano. Quando o filme foi exibido no Festival de Cannes, na França, em 1964, o público e a crítica francesa ficaram impressionados com o realismo da cena e acreditaram que a cadela tivesse sido sacrificada de verdade durante as filmagens, o que não foi verdade. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo no ano de 2018, Luiz Carlos Barreto, diretor de fotografia do filme, explicou como a cena da morte de Baleia foi realizada: “Pegamos uma linha branca de costura, amarramos a perna no rabo para ela fingir que tinha levado o tiro. Tinha a maquiagem, água de chocolate, não sei o quê. Ela tinha de fechar os olhos. Nós escolhemos uma locação, um carro de boi, e o sol nascendo para ela olhar para o sol. O sol batia e ela foi fechando os olhos por causa da luminosidade. O Nelson botou toda a equipe para fora, e só ficou eu, ele e o José Rosa – e a câmera. Ninguém falava nada. Na hora que ela começasse a fechar os olhos, o Nelson catucava o Zé Rosa e ele ligava a câmara. O sol nasceu, ela fechou os olhos e deu a sensação nítida de morte.”

23.03.2021

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O PRÍNCIPE NICOLAU, OBAMA NOEL E DAHRENDORF

Li o “O Príncipe” do poeta e filósofo Nicolau Maquiavel (1469-1527) nos anos 70 e reli - no início dos anos 80 - quando estudava o assunto “indivíduos na sociedade: papel social” (conjunto de normas, direitos, deveres e explicativas que condicionam o comportamento dos indivíduos junto a um grupo ou dentro de uma instituição) na obra do sociólogo alemão Ralf Gustav Dahrendorf (1929-2009). Aqui fica o registro: Dahrendorf é o “cara” que me salva quando o príncipe político de Maquiavel me tira o sono. Os políticos adoram sua cartilha de malvadezas e a seguem religiosamente. A lista de “sentenças” de Nicolau - Papai Noel do saco roxo - é extensa e digna de pesadelos. Aqui cabe recado da culpa: “pesadelo é para quem está devendo!” Maquiavel anda profícuo e mais atual do que nunca. Algumas máximas do príncipe florentino: “Faça de uma vez só todo o mal, mas o bem faça aos poucos.” “O que depende de muitos costuma não ter sucesso.” “Nunca faltarão ao príncipe razões legítimas para burlar a lei.” “Um governante eficaz não deve ter piedade.” “É mais seguro ser temido do que amado.” E a mais cruel de todas: “O príncipe político que desejar ter sucesso em seu empreendimento deve partir da regra de que as pessoas são más e que na primeira oportunidade elas demonstrarão essa maldade, geralmente traindo o seu superior.” É quando tudo está “quase perdido” que Dahrendorf me chama de dentro e fala com o que de melhor deixou no meu coração: "Nada mais antiliberal que a utopia, que não deixa lugar para o erro nem para a correção". Continuo acreditando nos indivíduos em sociedade - na democracia - e no conjunto de normas, direitos e deveres de um povo justo e fraterno. Erros se consertam! Defeitos se corrigem! O perdão salva! Papel Noel não existe, mas faz falta!  

Obama Noel (Aylton Lafayete) que morreu em 2020, aos 66 anos de idade.

14.03.2021


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