Primo Pobre & Primo Rico: desigualdade da desigualdade!

 Primo Pobre & Primo Rico (criação de Max Nunes, o célebre quadro tinha sempre o mesmo esquema: o Primo Pobre - Brandão Filho - visitava o luxuoso apartamento do Primo Rico - Paulo Gracindo - em busca de ajuda para as suas dificuldades financeiras e acabava ouvindo os queixumes do parente milionário). A desigualdade da desigualdade. O filósofo, teórico político e escritor Rousseau (Jean-Jacques Rousseau, 1712-1778) no livro “Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens” assim se justifica: "ir até a essência do homem para julgar a sua condição atual". Existem dois tipos de desigualdade: a desigualdade física ou natural, que é estabelecida pela força física, pela idade, saúde e até mesmo a qualidade do espírito e a desigualdade moral e política, autorizada e consentida pela maioria dos homens. Com o covid-19 e a pandemia global a desigualdade da desigualdade mostrou-nos - agora com mais clareza - o tamanho da desigual desigualdade de renda (concentração), riqueza (marginalização), valores (irresponsabilidade social), consumo (pobres estão 11% mais pobres) e de oportunidades (ricos estão mais ricos) na educação, na saúde, no direito à moradia, segurança pública, emprego e uso de bens culturais. No “índice de Gini” medidor de desigualdade estatístico o Brasil aparece como o décimo primeiro maior índice de desigualdade econômica no mundo e o quarto na América Latina. É isso. Agora voltando à matéria da FOLHA de hoje com a seguinte manchete: “Forbes lista os dez bilionários brasileiros. Joseph Safra tira Lemann do topo” O Brasil tem hoje 200 bilionários. Nada contra! Luiza Trajano (Magalu) é a mulher mais rica do Brasil e ocupa a oitava colocação. Parabéns!

19.09.2020

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Sanfona - Acordeon e os meus incompletos mundos

A vida é veloz! Palavras - na ordem do dia - da Mãe Nilce. Ela faleceu em 2003, no dia 23 de setembro. 17 anos? Isso. Tenho uma foto dela no móvel da sala de jantar. Passo de olho - olhando - e jogo um beijo. Ela sabe. Eu sei. Isso nos basta! Na verdade retribuo o seu alô de uma vida inteira - João aqui é mamãe - de todos os dias, na hora das Marias. É a época do ano que fico calado, reservado e triste. Nilce Scortecci tocava sanfona-acordeon (instrumento musical aerofone de origem alemã, composto por um fole, palhetas livres e duas caixas harmônicas de madeira). Nada sei sobre sua compra, se foi presente ou não e, muito menos do seu paradeiro. Era vermelha perolada. Não me lembro da marca, do som e nem das músicas que ela tocava. Trancava-se na biblioteca da casa - isso no Ceará dos anos 60 - e lá ficava. Ela, sua música e nossos livros. Algumas lembranças de infância são assim: frágeis e incompletas. Gosto de pensar que são fragmentos de tempo algum. Grãos de areia no meu latifúndio espiritual. Sobre o paradeiro da sanfona-acordeon: descobri que ela ainda existe e está com sua neta Ana Luiza. No prego das promessas: virar a ampulheta, saber da cor do seu som, da sua caixa de pandora e reencontrar - no veloz da vida - os meus incompletos mundos.

17.09.2020

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Dante, o sumo poeta florentino

Na lista dos poetas: Dante, o sumo poeta florentino (A Divina Comédia), na boca do Inferno (Canto V, versos 73, 74 e 75): “Então disse eu: Poeta, aos companheiros, Dois, que ali vêm, falar muito desejo: Ao vento ser parecem tão ligeiros!” Morreu em Ravena, Itália, no dia 13 de setembro de 1321. No Paraíso (Canto 2, versos 85,86 e 87): “Não indo o raro de um ao outro lado, Limite deve haver onde, já denso, Não possa o corpo ser atravessado”. O cara é fera! Marcamos encontro no purgatório: “Vê que, aos humanos meios sobranceiro, Para vir de tão longe velas, remos, Possui das asas no volver ligeiro.” (Canto 2, versos 31, 32 e 33). Resumo: Poetas - o raro de um ao outro lado – nas asas do purgatório. A poesia nos salva!

13.09.2020

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Liev Tolstói, o Leão

Eu e o Google. Digitei “Liev” e ele me “entregou” Live: show, sarau, programa, emissão ou qualquer outro evento do mesmo gênero gravado ao vivo e transmitido remotamente, on-line. E o Tolstói? O russo danado de escrever sem-fim, autor de “Guerra e Paz”? Fechei o navegador e digitei novamente: Liev. O danado - desta vez - entregou Liev Tolstói, o Leão (1828-1910). Não li “Guerra e Paz”. A obra não faz parte - ainda - da lista de livros do meu “ler antes de morrer”.  Romance histórico escrito por Tolstói e publicado - aos goles - entre 1865 e 1869, no “Russkii Vestnik”, um periódico famoso da época. O livro narra a história da Rússia à época de Napoleão Bonaparte e as guerras napoleônicas. O primeiro rascunho de "Guerra e Paz" foi concluído em 1863. Um terço de todo o trabalho já havia sido publicado no “Russkii Vestnik” com o título "1805". Não satisfeito com o final Tolstói reescreveu a obra (entre 1866 e 1869) e a publicou sob o título definitivo de "Guerra e Paz". A obra em russo tem 1.225 páginas e está dividida em quatro livros (quinze partes) e dois epílogos - um narrativo e o outro temático. Antes de publicar o post - cearense desconfiado – abri pela terceira vez o buscador e digitei “Liev”. Ele entregou: Isaac Liev Schreiber - ator, diretor, roteirista e produtor norte-americano. Adoro sacanagem!

09.09.2020

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Walt Whitman - Versos imitando os ritmos da fala!

Versos imitando os ritmos da fala! O poeta, jornalista e impressor Walt Whitman (1819-1892) é considerado por muitos, como o "pai do verso livre". Sua obra "Folhas de Relva" (Leaves of Grass) é considerada um marco na literatura universal. Uma curiosidade: a obra teve oito edições e foi revista e ampliada várias vezes. Uma obra - eternamente - inacabada! A primeira edição foi publicada em 1855. Não tinha o seu nome e apenas 12 poemas e um prefácio. A segunda edição ganhou o seu nome na capa e um total de 32 poemas. Entre eles o poema "Canto de Mim Mesmo". A terceira edição - já com 154 poemas - foi publicada em 1860. Em 1861 a editora foi à falência e sua obra pirateada. A quarta edição, com oito poemas novos, saiu em 1867. A quinta edição de “Folhas de Relva” saiu em 1870 e uma segunda tiragem em 1971 que incluía o poema "Passagem para a Índia” e mais 71 poemas, alguns dos quais inéditos. Em 1876 publicou a sexta edição, em dois volumes. Em 1880, publicou a sétima. A edição não foi distribuída e em seguida recolhida, por ordem do promotor público que a julgou imprópria. A edição só foi retomada em 1882 e com a inclusão de mais 20 poemas inéditos. A oitava edição de "Leaves of Grass" foi publicada no ano de 1889. Walt Whitman preparava a nova edição quando morreu por causa de uma pneumonia em 26 de Março de 1892. Vivi o mesmo drama com o livro de poesias "A Morte e o Corpo" (1984). A cada nova edição excluía poemas, incluía novos e reescrevia outros. Na quinta edição da obra - frustrado e inconformado - de não conseguir concluí-la - escrevi uma nota após o último poema: “Dilema literário para não julgar. Fazer da vida o poema sem-fim.” Primeira versão do meu “Viver é fazer da vida um poema sem-fim!”

08.09.2020

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Comer presunto e andar de bonde de graça!

Comer presunto - pela primeira vez na vida - e andar de bonde de graça! Foi o que aconteceu durante quatro dias em Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte. Isso em 1935, quando, oficialmente, o estado foi comunista. Após um levante militar a capital potiguar caiu nas mãos dos rebeldes que assumiram o poder com apoio do Partido Comunista Brasileiro (PCB), liderados por Luís Carlos Prestes que - é o que dizem - foi pego de surpresa. Ainda não é hora! Sob o lema "pão, terra e liberdade", os revolucionários almejavam dar o pontapé inicial para a instalação de um regime soviético no Brasil. Lendo sobre “os estratégicos” do levante: tomar a central elétrica, a estação ferroviária e as centrais telefônica e telegráfica. Primeiras medidas do Comitê Popular Revolucionário: destituição do governador, dissolução da Assembleia Legislativa, saque dos cofres da agência do Banco do Brasil (parte do dinheiro foi distribuído à população) e extinguir as tarifas do transporte público. O povo adorou a novidade e o levante virou uma farra potiguar: dinheiro, bebida, presunto fresco e transporte de graça! Isso um aparte (comentário) e nada mais. Agora voltando leitura curiosa sobre a historiadora teuto-brasileira Anita Leocádia Benário Prestes, filha de Olga Benário (militante comunista alemã de origem judaica) e Luís Carlos Prestes (militar e político comunista, líder da Coluna Prestes).

07.09.2020

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Ler Poe é, antes de tudo, reconhecê-lo!

Láudano poético: branco, açafrão, cravo, canela e ópio. Lendo sobre o romantismo sombrio - fascinação popular com o irracional, o demoníaco e o grotesco - e a obra do poeta Edgar Allan Poe (1809-1849) encontrei nota sobre o significado da palavra embuste (Hoax, em inglês): tentativa de enganar um grupo de pessoas, fazendo-as acreditar que algo falso é real. Os “embustes” estão na moda e parece que vão ficar no espelho do novo normal. É possível perpetrar um “embuste” fazendo somente declarações verdadeiras. Embuste ou Fake News? Segundo o “pai dos burros inteligentes” a expressão Fake news é usada desde o final do século XIX e se tornou popular em todo o mundo para denominar informações falsas que são publicadas, principalmente, em redes sociais. Voltando ao Edgar Allan Poe e o Corvo: "Senhor, por favor, ajude minha pobre alma”. Láudano para os ingênuos! “Qual é teu nome, ó nobre Corvo, o nome teu no inferno torvo! E o Corvo disse: Nunca mais.” Embuste ou Fake News? Ler Poe é, antes de tudo, reconhecê-lo.

05.09.2020

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Andar São Paulo dos anos 70

 Andar São Paulo! Foi o que fiz nos anos 70. Tinha um mapa e nenhuma direção. Nunca havia subido em um ônibus urbano na vida. Porta da frente ou porta de trás? Até hoje esqueço o que nunca de fato aprendi. Na lista de vontades: conhecer o Museu do Ipiranga, o Instituto Butantã, o Shopping Iguatemi, o Aeroporto de Congonhas e a Praça da República e sua famosa Feira Hippie, aos domingos. Minha mãe Nilce havia estudado no Colégio Caetano de Campos, no coração da praça. Era o seu sonho - quando falava da cidade - e eu o adotei em sua memória. Andar São Paulo e cruzar na Rua dos Timbiras com o Gracindo! Madrugava - quase sempre antes do nascer do sol - e lá ia eu no cobreiro do mapa. Morava na Rua Frederico Abranches, no bairro de Santa Cecília, próximo da igreja e da belíssima Loja Clipper. Assisti ao início da construção do Metrô e o fim da Rua das Palmeiras e da Avenida São João. Um dia andando pela Rua dos Timbiras, saindo da Praça da República em direção à São João, cruzei com o prefeito Odorico Paraguaçu. Alinhadíssimo, terno branco e chapéu. Prefeito! Prefeito! Ele parou e me esperou. Posso olhar um “pouquinho” para o Senhor Prefeito? Ele sorriu. Cumprimentou-me levantando o chapéu e seguiu o seu caminho. Estava acompanhado - de braço dado - com uma jovem moça. Odorico - personagem cômico do incrível escritor Dias Gomes - era dono de uma fazenda de azeite de dendê e prefeito de Sucupira. Corrupto, demagogo e maravilhoso. Elegeu-se com a promessa de construir o cemitério da cidade e de encontrar “um defunto” para inaugurá-lo. Nunca o encontrou! Paulo Gracindo morreu no dia 4 de setembro de 1995, deixando órfã Sucupira e o melhor da cidade de São Paulo.

04.09.2020


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40 ANOS DE MIM MESMO

RELÓGIO DE SOL (Poeco, 1980) foi o meu primeiro livro de poesias publicado em coautoria com a escritora e editora Thereza Christina Rocque da Motta. Antes, havia publicado poesias na revista POETAÇÃO (FAU-USP, 1973) e nas antologias literárias intituladas ENSAIOS, do Grupo Poeco. Foi o primeiro de uma lista hoje de 23 títulos e mais de 45 edições. São, portanto, 40 anos! A data ia passar batida se não fosse um alô da Titina (Thereza Christina). SINE SOLE SILEO surgiu quando nem pensávamos em algo pronto, que pudesse marcar um tempo distinto e próprio. Na época “babávamos” encontrar para o livro um título inédito e diferente. Único. Santa inocência de novos! Cabe lembrar que na época ainda não existia o Dr. Google e tudo era muito difícil. Foi surpresa depois de algum tempo, lendo a biografia do poeta Mário Quintana, saber de uma publicação sua como o mesmo título e mais, publicada em 1956, ano do meu nascimento. Relendo a dedicatória encontrei nomes do coração de uma vida inteira: Stella Garrafa Serra, Ricardo Brancato, Cida Guastelli, Tommaso Franzese e Odilon Soares Leme. Nossos eternos incentivadores! A obra tem um preâmbulo do inesquecível e respeitadíssimo Carlos Burlamáqui Kopke. Poema Relógio de Sol: “mágico deslize que percorre os traços do corpo, as linhas da mente, a pequena imensidão da vida. Pontos negros, alertas, olhos de um rosto cansado, milenar. Sombra fria que por alguns instantes esconde o único alvo humano. Compasso lúcido, da vírgula flutuante que ressurge radiante, glorificando a velhice da noite.”

02.09.2020


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Baudelaire - As Flores do Mail

Baudelaire: "Quem não sabe povoar sua solidão, também não saberá ficar sozinho em meio a uma multidão!" Hoje aniversário de morte do poeta francês Baudelaire (Charles-Pierre Baudelaire, 1821 - 1867). É considerado um dos precursores do simbolismo, movimento literário da poesia e das outras artes que surgiu na França, no final do século XIX, como oposição ao realismo, ao naturalismo e ao positivismo da época. O seu livro "Les Fleurs du mal" ("As Flores do Mal", 1857) é considerado um marco da poesia moderna. A obra, considerada na época imoral, foi atacada violentamente pela imprensa, censurada pela justiça, multada (Autor e Editor) e recolhida sob acusação de insulto aos bons costumes. E mais, seis poemas da obra tiveram de ser suprimidos da publicação, condição sem a qual a obra não poderia voltar a circular. Uma nova edição, acrescida de 35 poemas, foi publicada em 1861. E somente em 1924 ganhou edição completa (com os 6 poemas censurados) e em 31 de maio de 1949 - sob o impulso da Sociedade dos Homens de Letras - 92 anos depois – um processo diante da Corte de Cassação reabilitou Charles Baudelaire e seus editores. “Ah! pobre! o veneno e o punhal disseram-me de ar zombeteiro: Ninguém te livrará afinal de teu maldito cativeiro." 31.08.2020

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