Dedicatória no rosto de um livro triste. Escreveu: Pra você e pra sempre! Li e acreditei. Guardei-o no asilado de mim. Lugar de sol e safra. Cadê você? Aguardei - no silêncio das horas - notícias do front. Nada. Demorou saber – o que já desconfiava e sentia no peito - do seu passamento trágico e violento. Você capotou no asfalto. Bateu a cabeça e perdeu um pé preso nas ferragens. Tragédia! Era o que contava a carta do aviso fatal. Mendicidade literária: cadê o nosso “pra sempre”? Eu e o rosto de um livro triste. Autografado com letra elegante e legível. Brevidade nos olhos: lágrimas! Encontro adiada. Então: adiado fica! Você capotou no asfalto, bateu a cabeça e perdeu um pé preso nas ferragens. Páginas de um livro triste. Guardei-o na estante de mogno da biblioteca. Poeta morto, poeta no asilo de mim.
João Scortecci