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MUNDO CADENTE NAS ÁGUAS DO RIO

Dia de barco sem velas. De brisa e águas. De rio e pedras agudas. Leveza de horas: no seu rumo. Descendo o vazio na direção do lugar. Dia de lua de prata, espelho e brilho. Reflexo do - eu de mim - nas areias do chão. Face oculta de silêncios. Vento de capitão: que segue rio abaixo! Ele sabe o que faz. Isso importa? Talvez. Ele olha nos olhos do boto: não sei o quê. Desenha linhas - na distância do arco - no mapa do céu e suas estrelas. Mundo cadente. Vale riscar o universo? Desenhar o infinito? Pergunto: Estamos na curva do sol? Quase. Fica logo ali. Espera e vê. Paciência. E se chover canivete até lá? Você fica e sofre junto. É o incerto das flechas de bambu. Medo não arrasta barco. Dói o esforço do desafio? Sim. Dói. Dói muito! Vício de viver esperanças e destinos. Última travessia? Talvez, quem sabe. Barco sem velas na brisa das águas. O capitão sabe o que faz! Isso importa?

João Scortecci