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OS PARDAIS DE MAO TSÉ-TUNG

Um amigo me confessou: "Os pardais da cidade estão sumindo!". "Qual a razão?" Perguntou-me. "Não sei". Respondi. Fui, então, procurar saber na Internet. O que descobri sobre o desaparecimento dos pardais: “Os pardais estão sumindo das cidades em várias partes do mundo, incluindo o Brasil, devido à urbanização intensa, menor oferta de alimentos e poluição, que afetam sua alimentação e reprodução.” Liguei, então, para o amigo e confirmei a informação: "É verdade!" Disse-lhe. Não satisfeito, continuei, então, pesquisando sobre o sumiço dos pardais. Encontrei algo interessante: “Aves nativas estão ocupando o lugar dos pardais!” Aves nativas? Sim. Sabiás, bem-te-vis e periquitos estão ocupando o espaço dos pardais. Nos anos 1970, quando cheguei em São Paulo, os pardais eram praga! Lendo sobre a campanha de caça as “Quatro Pragas” lançada pelo líder comunista e revolucionário chinês Mao Tsé-Tung (1893 – 1976), em 1958, além dos ratos, moscas e mosquitos, encontrei, também, caça aos terríveis pardais. O extermínio em massa dos pardais na China de Mao Tsé-Tung modificou o equilíbrio ecológico e permitiu a proliferação de insetos que acabaram destruindo as colheitas, sendo uma das causas da Grande Fome Chinesa. Explicação: Os pardais foram incluídos na lista de inimigos porque comiam sementes de grãos, roubando do povo os frutos do seu trabalho, em sua concepção, considerando que “Os pássaros são animais públicos do capitalismo”. Pardais capitalistas? Águias? Talvez. Insisti na pergunta: “O pardal é símbolo ou aparece em alguma bandeira de país?” Resposta: “Não, o pardal especificamente, não aparece em nenhuma bandeira nacional de países soberanos. Muitas bandeiras apresentam aves, mas nenhuma delas é um pardal.” Praga mesmo! Lendo, ainda, sobre as “Quatro pragas” descobri que a China durante a o período de Mao Tsé-Tung não teve sucesso com a caça aos ratos e nem aos mosquitos, somente contra os pardais. No Brasil, durante a Revolta da Vacina (1904), o governo do Rio de Janeiro passou a pagar uma recompensa por rato entregue para combater a peste bubônica. Para lucrar com a medida, parte da população passou a criar ratos em casa para vendê-los às autoridades sanitárias. O plano foi cancelado após a descoberta da fraude, que acabou aumentando a população de roedores na cidade. Aqui com os meus pardais: Seriam os ratos animais públicos do comunismo? Brincadeira, claro. Uma única certeza: estou feliz com os sabiás, os bem-te-vis e os periquitos que, quase que diariamente, cantam - alegremente - nas minhas janelas paulistanas.  

João Scortecci