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GAUDÍ E O SUSPENSE DA "CIDADE DE SOMBRAS"

A obra do arquiteto catalão Gaudí (Antoni Gaudí i Cornet, 1852-1926) é de tirar o fôlego. Impressiona. Diferente de tudo que já vi. Expoente do Modernismo, famoso por suas obras “orgânicas", de estilo único, na cidade de Barcelona. Usava formas de árvores, rochas, animais e o mar como base para suas criações. Religioso, via a arquitetura como um louvor a Deus. Suas obras mais famosas: Parque Güell, um parque de "contos de fadas" com formas onduladas e coloridas; Casa Batlló, famosa pela fachada que lembra escamas de peixe; La Pedrera (Casa Milà), edifício com aspecto de pedra e formas fluida; Casa Vicens, moradia de verão encomendada pelo dono de uma fábrica de tijolos e fabricante de azulejos; Palácio Güell, construído entre 1885 e 1890, para servir de residência da família de Eusebi Güell; e a Sagrada Família, sua obra-prima, templo icônico, inacabado. Conheço pouco de arquitetura, mesmo tenho conhecido grandes arquitetos, entre eles Oscar Niemeyer. No Netflix assisti à série "Cidade de Sombras", suspense policial espanhol ambientado na cidade de Barcelona, após os Jogos Olímpicos, quando a cidade foi “literalmente” reconstruída. A série, dirigida por Jorge Torregrossa, é baseada no livro "El verdugo de Gaudí", de Aro Sáinz de la Maza, que faz parte de uma série literária protagonizada pelo investigador Milo Malart, interpretado por Isak Férriz, e Rebeca Garrido, interpretada pela atriz espanhola Verónica Echegui, falecida em agosto de 2025, de câncer, aos 42 anos de idade. Para quem quer curtir uma ótima série espanhola e conhecer a obra do arquiteto catalão Gaudí, eu recomendo. Imperdível. Ficou no ar – desconfio – o assunto "esquizofrenia", doença que assola a família do investigador Milo Malart. Já disse: conheço muito pouco sobre arquitetura e a obra e Gaudí. Devo estar sonhando, delirando, injuriando o mestre. Perdão! Quando vi na série imagens da Casa Batlló, lembrei-me de uma autora esquizofrênica, já falecida, que um dia me confessou: "Quando sinto que vou entrar em crise, vejo as pessoas, as árvores, os prédios distorcidos, deformados, puídos. Saio do ar!". Perguntei, então: "E a poesia?". Ela me olhou e disse: "Vem depois da crise, dos gritos, ela me acalma a alma!". Gaudí faleceu em 1926, aos 74 anos de idade, após ser atropelado por um bonde e seu corpo está enterrado na cripta da Sagrada Família, em Barcelona. 

João Scortecci