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DAS ALAVANCAS DE BADEN-POWELL E SÃO JORGE

Lembro-me – ainda menino de tudo – do fascínio que foi improvisar, com um bastão de escoteiro, uma alavanca para mover do solo uma grande pedra. Aventura inútil. Hoje, ainda escoteiro, apenas tentaria subir ao alto da pedra e nada mais do que isso. Pela trilha mais fácil, içaria o meu dorso pesado até o melhor da noite de estrelas. Buscaria, se possível, infinitas estrelas no céu, como naquela noite de luz, acampado no leito perene do Rio Jaguaribe, no sertão do Ceará. Dormiria ali, ao léu, no abraço das alavancas e no braço das roldanas, o melhor da minha infância dos anos 1960. Fui lobinho e escoteiro. Meus irmãos Luiz e José, escoteiros, monitores e chefes. Meu pai Luiz Gonzaga, Comissário Regional do Ceará. Lembro-me do Jornalzinho KIM, informativo do Movimento Escoteiro, impresso num mimeógrafo a álcool. Meu trabalho era grampeá-lo! Folhas soltas, aparentemente perdidas, desde aquela época já me incomodavam e muito. Possivelmente um “toque” de encadernação ou outra mania qualquer. O Escotismo – movimento juvenil mundial, educacional, voluntariado, apartidário e sem fins lucrativos – foi fundado em 1907, pelo tenente-general do Exército Britânico, Baden-Powell (Robert Stephenson Smyth Baden-Powell, 1857-1941). Hoje, 23 de abril, é o Dia Mundial do Escoteiro. Foi escolhido em 1910, por Baden-Powell, por ser também o Dia de São Jorge, Patrono do Escotismo. Fui lobinho da Matilha Amarela – das aquelás Ana Maria e Gláucia de Alencar – e escoteiro da Patrulha Leão, do fraterno amigo, Antonio Mourão Cavalcante, meu primeiro chefe escoteiro. Meus irmãos Luiz e José estiveram no 1º Jamboree Pan-Americano, em 1965, na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro. Quanto à pedra grande, ainda deve estar por lá –  com certeza. Equilibrada, única e em paz com a natureza, inerte, na trilha do Rio Jaguaribe – e dos bastões de Deus –, onde o caminho nos leva, sempre, aos céus.

23.04.2022