Pesquisar

50 ANOS DE SÃO PAULO, DELFIM NETTO E “ESPADA AO ALTO”

No dia 2 de março de 2022, completo 50 anos de São Paulo. O tempo é veloz! Desci - vindo do Ceará, com 16 anos de idade - no Terminal Rodoviário da Luz, na Barra Funda, na capital paulista. Viemos eu e meu irmão José Henrique, que já morava em São Paulo, desde 1970. No coração, um desafio: vencer na cidade grande! Na cabeça - menino de tudo - os conselhos do professor Delfim Netto: “O milagre econômico brasileiro começa em São Paulo”. Nos anos 1970, eu estava no Ideal Clube, na cidade de Fortaleza, “voando solto”, depois de uma aula de tênis com o professor Gadelha, quando um anjo torto me apontou, com o dedo, outra direção, a de um salão nobre, apinhado de gente. Entrei no salão e fiquei. Era uma palestra com o professor Delfim Netto. Confesso: depois daquele dia - desavisado de tudo - nunca mais fui o mesmo. Reencontrei-o em Brasília, 35 anos depois, numa reunião da CNIC -Comissão Nacional de Incentivo à Cultura, no Ministério da Cultura, e, mais recentemente, em 2017, num evento do Grupo de Líderes, na sede da Abigraf, na cidade de São Paulo. O Professor Delfim Netto fascinava e fascina até hoje, mesmo depois do “pecado capital” da maxidesvalorização cambial, no ano de 1980, quando era Ministro da Fazenda. Antes do evento da Abigraf - na sala da diretoria-executiva da entidade - contei-lhe sobre o nosso primeiro encontro, em Fortaleza, em 1970. Lúcido e ágil, como sempre, olhou-me e disse: “Eu lembro!”. Papo de raposa velha, pensei. Lendo as minhas desconfianças, ele citou detalhes e passagens daquele - memorável - dia. Incrível! Em 1972, já morando em São Paulo, depois de almoçar talharim com dois ovos fritos, no balcão do restaurante Giovani, da Rua Timbiras, 607 - entre a Praça da República e a Avenida São João -, notei, do outro lado da rua, um outdoor, com informações de um prêmio literário de “melhor frase” sobre os eventos comemorativos do Sesquicentenário da Independência do Brasil. Anotei tudo num pedaço de papel e o guardei no bolso. Foi o que fiz. Naquele mesmo dia, escrevi: “De uma espada ao alto nasceu o sonho da liberdade. Brasil!”. Fui ao correio, comprei um selo e postei. No início do mês de setembro, já se aproximando a Semana da Pátria, recebi um telegrama, com a boa-nova da premiação. Eu? Sim! Quase morri! Notícia boa costuma matar mais que notícia ruim. O prêmio selou o meu destino de vida. Foi o que fiz, sem pestanejar. Em 2022, tenho dois desafios para validar: comemorar “desbragadamente” os 50 anos de São Paulo e, também, os 50 anos do prêmio “Sesquicentenário da Independência do Brasil, Melhor Frase”. Aqui cabem versos do poeta francês Paul Géraldy (1885-1983), no poema “Eu e você”: “Depois, a gente começa a repartir dor por dor/ (...) E, sem pensar, vai falando de novo as que já falou (...)."

12.01.2022