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Vovô Índio Tupiniquim e Papai Noel Siberiano

Getúlio Vargas, presidente do Brasil de 1930 até 1945, Plínio Salgado, jornalista e político conservador, fundador da Ação Integralista Brasileira e Monteiro Lobato, escritor e editor, nos anos 1930, tentaram substituir do coração do povo o papai Noel siberiano, oriundo da cultura nórdica, pelo Vovô Índio, de roupas verdes,  criado pelo jornalista e escritor Christovam de Camargo e ilustrado pelo fotógrafo Euclides da Fonseca, adaptação de um personagem criado por Lobato. Dizem - não sei se é verdade - que o batismo do Hulk tupiniquim, aconteceu no “Natal dos Pobres”, evento badaladíssimo na época, inclusive com a presença do próprio Getúlio e sua trupe. O Vovô Índio durou “pouco” e logo caiu em desgraça. Quando o “monstro verde” de cocar e tudo, adentrou na festa do Natal dos Pobres as crianças gritaram e caíram no choro. Foi um vexame! A divulgação do personagem se deu por meio da imprensa integralista, cujo movimento tinha raízes no nacionalismo brasileiro com conotações fascistas. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, e a influência americana, o Noel siberiano ganhou força e derreteu, definitivamente, o Vovô Índio. "Índio" é um termo de origem colonial, fruto do erro de Cristóvão Colombo, ao pensar ter chegado às Índias. O termo hoje é considerado inadequado por homogeneizar e estereotipar os diversos povos originários, sendo preferível usar "indígena", que significa "originário da terra". O Papai Noel vermelho é um ícone cultural consolidado pela publicidade da Coca-Cola a partir de 1931, que popularizou a imagem do velhinho barbudo e alegre de roupa vermelha e branca. A figura do Papai Noel é baseada em São Nicolau, um bispo do século IV, que usava vestes vermelhas, famoso por sua extrema generosidade, que distribui presentes, especialmente para crianças. 

João Scortecci