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A ESCRITA DEMÓTICA E ROSETA - A PEDRA MAIS FAMOSA DO MUNDO

O legado deixado pelos egípcios na escrita: hieróglifos, sistema de escrita formal usado no Antigo Egito: combinavam elementos logográficos, silábicos e alfabéticos, o hierático, escrita sacerdotal: relativa às coisas sacerdotais, sagradas ou religiosas e o demótico. A escrita demótica, escrita para o dia a dia, surgiu - provavelmente na região do delta do Nilo - no início da 26º dinastia do Egito (667 a.C. - 525 a.C.). Acredita-se que o Estado egípcio, na época de Psamético I, faraó egípcio da XXVI dinastia egípcia, 690 a.C.- 610 a.C , tendo em vista a centralização da administração do país em Saís - parte ocidental do Delta do Nilo, ao invés de Tebas, empenhou-se para que se tornasse padrão no Egito. Antecessora da demótica, a escrita hierática já representava uma grande evolução em relação aos hieróglifos egípcios. Em pouco tempo a escrita do dia a dia passou a ser utilizada na maioria dos registros das atividades dos egípcios. A escrita demótica foi uma das três escritas encontradas na Pedra de Roseta, fragmento de uma estela de granodiorito erigida no Egito Ptolemaico, cujo texto foi crucial para a compreensão moderna dos hieróglifos egípcios. Sua descoberta - no ano de 1799, expedição francesa ao Egito liderada por Napoleão Bonaparte, deu início a um novo ramo do conhecimento, a egiptologia. Sua inscrição guarda um decreto de um conselho de sacerdotes estabelecendo o culto ao faraó Ptolemeu V, no primeiro aniversário de sua coroação (cidade de Mênfis, em 196 a.C). Sua deliberação é registrada em três versões de escrita: a superior foi registrada na forma hieroglífica do egípcio antigo; a do meio, em demótico, variante escrita do egípcio tardio; e a inferior, em grego antigo, língua indo-europeia extinta, falada na Grécia durante a Antiguidade e que evoluiu para o grego moderno. A “Pedra de Roseta” é a primeira peça a ser recuperada na Idade Contemporânea com inscrição “plurilíngue” e desde então é considerada a pedra mais famosa do mundo. Com a Capitulação de Alexandria (tropas britânicas e otomanas derrotaram os franceses no Egito, em 1801), a Pedra de Roseta acabou na posse do Reino Unido e desde 1802 está em exibição no Museu Britânico, em Londres.

João Scortecci