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LARGO DA PÓLVORA, EXECUÇÕES PÚBLICAS E O ESPÍRITO DA DOR

O Largo da Pólvora (no local, século XVIII, existia um armazém de explosivos e era palco para execuções públicas) é uma praça localizada no centro da cidade de São Paulo, no distrito da Liberdade. Nele o Prédio Jahu, um jardim ao estilo oriental, três lagos de peixes ornamentais e os bustos de Ryu Mizuno, pai da Imigração Japonesa no Brasil e Umpei Hirano, fundador do primeiro núcleo Japonês no Brasil, Colônia Hirano, na cidade de Cafelândia, interior de São Paulo, no ano de 1915. Visitei o Largo da Pólvora no ano de 1977, quando colaborador de uma empresa de proprietário japonês, que comercializava equipamentos pra escritório, meu primeiro e único emprego, antes de fundar a Scortecci, no ano de 1982. Lembro-me que fiquei encantado com a beleza do lugar, as carpas nos lagos - limpos - e o clima exótico e oriental do espaço. Revisitei o “Largo da Pólvora” ano passado, no início da pandemia da Covid-19 e observei sinais de abandono. Hoje voltei e a decepção foi total. Abandono, sujeira, bancos pichados e carpas mortas, apodrecidas, boiando no tempo. Localizei no “espírito da pólvora” o armazém de explosivos e também o palco de execuções públicas. Estavam lá. Sombras no ar e cheiros de dor. O pedal de hoje foi triste. Contornei as Ruas Tomás Gonzaga e Américo de Campos e subi pela Avenida da Liberdade, na direção do caminho de volta.

05.04.2021