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A REVOLTA DA VACINA E OS "SONHOS TROPICAIS" DE MOACYR SCLIAR

A Revolta da Vacina foi um motim popular ocorrido entre 10 e 16 de novembro de 1904 na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil. Seu pretexto imediato foi uma lei que determinava a obrigatoriedade da vacinação contra a varíola e as campanhas de saneamento lideradas pelo médico Oswaldo Cruz. O estopim da revolta foi a publicação da notícia no jornal "A Notícia", de 9 de janeiro de 1904. O projeto exigia comprovantes de vacinação para a realização de matrículas nas escolas, para obtenção de empregos, viagens, hospedagens e até casamentos. Quando a proposta vazou, o povo indignado e contrariado iniciou uma série de conflitos e manifestações que se estenderam por cerca de uma semana. No dia 16 de novembro, foi decretado o Estado de Sítio e a suspensão da vacinação obrigatória. O saldo foi trágico: 30 mortos, 945 pessoas detidas, 461 deportados para o Acre e uma tentativa de golpe militar, sem sucesso. O médico e escritor Moacyr Scliar (Moacyr Jaime Scliar, 1937-2011), no seu romance “Sonhos Tropicais” (Companhia das Letras, 1992), conta a história de uma jovem judia polonesa, que imigra para o Brasil em busca de uma vida melhor, mas acaba por se prostituir. A narrativa acontece no cenário trágico de combate à febre amarela e a resistência da população à vacinação obrigatória, que resultou na chamada Revolta da Vacina. Estive com Scliar em feiras e bienais do livro. Disse-me um dia: “Para viver de literatura dependo da minha presença em eventos literários!” Ficou na cabeça. Nunca esqueci. Em 2010, nosso último encontro, no Flipoços - Festival Literário de Poços de Caldas, a convite de Gisele Corrêa Ferreira, empresária coordenadora do grandioso e tradicional evento literário. Moacyr Scliar faleceu um ano depois, no dia 27 de fevereiro de 2011. Exatos 10 anos!

27.02.2021