Sanfona - Acordeon e os meus incompletos mundos

A vida é veloz! Palavras - na ordem do dia - da Mãe Nilce. Ela faleceu em 2003, no dia 23 de setembro. 17 anos? Isso. Tenho uma foto dela no móvel da sala de jantar. Passo de olho - olhando - e jogo um beijo. Ela sabe. Eu sei. Isso nos basta! Na verdade retribuo o seu alô de uma vida inteira - João aqui é mamãe - de todos os dias, na hora das Marias. É a época do ano que fico calado, reservado e triste. Nilce Scortecci tocava sanfona-acordeon (instrumento musical aerofone de origem alemã, composto por um fole, palhetas livres e duas caixas harmônicas de madeira). Nada sei sobre sua compra, se foi presente ou não e, muito menos do seu paradeiro. Era vermelha perolada. Não me lembro da marca, do som e nem das músicas que ela tocava. Trancava-se na biblioteca da casa - isso no Ceará dos anos 60 - e lá ficava. Ela, sua música e nossos livros. Algumas lembranças de infância são assim: frágeis e incompletas. Gosto de pensar que são fragmentos de tempo algum. Grãos de areia no meu latifúndio espiritual. Sobre o paradeiro da sanfona-acordeon: descobri que ela ainda existe e está com sua neta Ana Luiza. No prego das promessas: virar a ampulheta, saber da cor do seu som, da sua caixa de pandora e reencontrar - no veloz da vida - os meus incompletos mundos.

17.09.2020