Castilho Voador

Em tempos de grama sintética! Fui “Castilho Voador”. Quando menino - isso nos anos 70 - mesmo sendo torcedor fanático pelo Fortaleza (time do coração) fiz teste e passei na “peneira” do Ceará, como goleiro. Fui escondido, no horário da aula de inglês. Na volta contei a verdade para a minha mãe. Quer morrer de fome? Você precisa é estudar - isso sim - ser alguém na vida! No ano de 1971 conheci o goleiro Castilho (Carlos José Castilho, 1927-1987), bicampeão mundial de futebol, quando então técnico do Fortaleza. Frequentava - depois dos jogos no estádio do PV (Presidente Vargas) os vestiários até que um dia Castilho me expulsou: Fora! Aqui só tem homem pelado! Fora! Nunca mais nos falamos. Eu era seu fã! Castilho era um homem triste, mal humorado e de poucos amigos. Em fevereiro de 1987 suicidou-se. A tragédia, na época, abalou-me além da conta. Três mortes mexeram comigo: Castilho, do piloto José Carlos Pace (1977) e do escritor Fernando Sabino (2004). Joguei futebol em vários times amadores e até que “catava” bem no gol. Dois defeitos básicos: míope e só pulava para a esquerda. Depois de alguns anos desisti. Minha mãe Nilce sabia das coisas. Pé quente! Fomos tricampeões mundiais de futebol no dia do seu aniversário de 43 anos: 21 de julho de 1970. Meu pai Luiz também foi goleiro e pelo que andei pesquisando na família a síndrome de goleiro nos persegue. Existe um dito futebolístico que diz: Não podemos elogiar um goleiro antes do término do jogo! Existem muitos outros. O mais trágico de todos: o lugar onde o goleiro pisa não nasce grama! Hoje planto livros!

26.09.2020