Das goiabeiras. De olho no bicho da goiaba

Das goiabeiras. Das goiabas verdes do pé, das maduras - de olhos e bocas salivadas - e das terras do chão. Do alto - lá do caralho - era assim. Eu capitão de nau. Eu nos finos galhos em fuga e no escape, do castigo de cinto de couro e na promessa - ardilosa - pelo perdão de mamãe Nilce. Menino levado ou danado? Sinto falta. Desce já da goiabeira! Você vai apanhar de cinto. Desço não. Desce agora. Eu estou mandando. Você fez arte. Obedeça a sua mãe. Agora! Desço não. Vou contar pro teu pai. Mãezinha olha os nervos. Fica calma! Você promete que não vai me bater? Vou pensar. Desce. Não! Você jura? Juro. Então desce. Calmarias. Galho por galho, até o chão. Pés descalços e suor. No máximo um puxão de orelhas. Sinto falta. Troca de sorrisos, ternura e amor incondicional. Menino danado você! E o dia de hoje? Igual. Veloz. Fez a lição de casa? Ainda não. Hora do banho. Vai. Não demora. Vê se lava as orelhas! Já são seis da tarde - hora da reza das Marias. Foi assim até sua morte, em 2003. João aqui é mamãe. Oi mãe. Ainda na goiabeira? Sim. Fazendo o quê meu filho? Danação? Juro que não. Estou caçando moscas. De olho nos bichos da goiaba.

03.05.2020