Imprimir no Espírito

Pergunta: você é capaz de imprimir no espírito? Essa é nova e eu descobri hoje. Lembrei-me de uma questão “igual e muito diferente” dos anos 70: qual a cor do amor? E nós - jovens de tudo - respondíamos pelo deus: amor não tem cor! Levávamos o cálice, as hóstias e o silêncio até o altar. E pronto. O amor não tem cor! Era a resposta de pronto da época e tudo ficava assim e por isso mesmo. E a loucura da flor de plutônio? Veio depois. Novamente a pergunta: você é capaz ou não de imprimir no espírito? Eu sei transferir - vida e morte - para o papel, sei untar tintas, esfregar grafite nos olhos, riscar traços na pedra e até imprimir passos na areia do mar. Optar pela resposta do sim seria de fato saber imprimir no espírito? Optar pelo não - o de não saber - seria deixar o vento bater seco na vela do desamor? Exijo uma resposta: você sabe ou não imprimir no espírito? No passado foi simplório acreditar que o amor não tinha cor. E agora? Imprimir é verbo transitivo da terceira conjugação e o “ir” é imperativo. Saudade do clichê, do carimbo, da tatuagem do chiclete, do soldadinho de chumbo, das figurinhas carimbadas, da coleção de tampinhas, das balas de menta, do jogo de gude, das arraias no céu e das linhas no cerol. Então respondi: imprimir no espírito é pintar o branco do papel com a cor do amor.