Fernando Sabino em "Gosto de quem gosta de mim"

Conheci Fernando Sabino nos anos 90 (na época do livro “Zélia, uma Paixão”) em um evento literário em São Paulo. Trocamos “gentilezas” e o tempo passou. Na oportunidade não pude lhe dizer da importância do livro O Encontro Marcado (escrito em 1956, ano do meu nascimento) na minha vida. Nosso verdadeiro encontro aconteceu na BAND, no programa da jornalista Silvia Poppovic. Além de Sabino estavam Lucélia Santos (Atriz) e um músico, que não me recordo do seu nome. O papo foi sobre “cultura” e o que cada um andava fazendo de bom. No final do programa Poppovic abriu espaço para perguntas entre os convidados. Lucélia Santos me perguntou sobre o assunto do meu livro: A Morte e o Corpo, o músico perguntou para Lucélia Santos sobre sua interpretação no filme Escrava Isaura (1977), e Eu - sorte minha - ao Fernando Sabino: - O que é uma boa história? A pergunta não o surpreendeu e a resposta veio de pronta: - Uma boa história é aquela que pode ser contada! Nunca me esqueci disso. O melhor veio depois, já no pátio da emissora, no bairro do Morumbi. Ficamos esperando a chegada da Van, que o levaria direto ao aeroporto. Pude então abrir o coração e lhe contar sobre a importância do seu livro na minha vida e que o admirava muito. Sabino se emocionou “juro que vi lágrimas nos seus olhos” e então me disse: “Scortecci, gosto de quem gosta de mim”. Encontramos-nos ainda mais algumas vezes em bienais do livro do Rio e de São Paulo. Sabino morreu em 2004, aos 80 anos de idade.