Do ódio

Do ódio. Da aversão intensa. Da odiosidade e da natureza humana. Eu as vejo nas diferenças, no útero, nos seios da morte. Perplexidade da razão e dos covardes do medo. Sinto os extremos na vertical. Eu que acreditava serem horizontes. Distâncias de buscas e desejos do céu. Não há misericórdia na ignorância. Não há sabedoria na tragédia do sangue. Sinto-me pobre de fome. Sinto-me rico de fracassos e decepções. Não sei lidar com o magma do ódio, com o ferro do julgar e nem com o corte das perdas. Teria Eu escrito uma resposta digna? O afrontamento parece inevitável. Das explicações que não encontro no corpo que é a vida. Parece que estamos no alto da roda com lama ou no poço seco das águas da dor. É o sofrimento dos anjos caídos que não sabem e não querem voar.