Biscoito da sorte

Abri o biscoito da sorte e li: “processo mental: atitude de quem acredita!” Comi o biscoito (feito de pessoas e coisas) até o ato de engolir vento. Eu e minhas crenças emocionais. Eu e a esperança de resultados positivos. É assim sempre. Dizem que sonhar tem um quê de perseverança. Tem um dedo que toca circunstâncias da vida. Não há indicações do contrário nem sentido letal nos pulmões. Aprendi a respirar meus próprios sentimentos. O ar entra pelos músculos e cria ossos. É na calma que construo esqueletos. Construo pirâmides. Abro outro biscoito. Meu terceiro em um único dia. Penso na carne das pirâmides, justifico pele, cabelos e unhas. Metamorfose de quem dar-se a sorte do instante: esperança ou crença? Fico com os farelos do chão e com o vento das velas. Sopro que sopra: vai-te biscoito feito de coisas e pessoas.