Anjo Torto II

O anjo torto anda solto. Arrasta suas asas igual vassoura no terreiro do inferno. Pobre de nós escolhidos de deus. Provações: até quando? No céu, as tragédias. No chão, as dores. Quantas mortes de sangue. Quantas aflições no reino da vida. Pobre país, o nosso. Abandonados, somos o grito de órfãos. Vencidos: do abraço vazio. Cadê a esperança do prometido exílio? Cadê o justo de nós? Bell um dia nos disse: somos a geração das crianças traídas! Nas catequeses, o sofrimento dói. Telhado de vidro. Quebra-te! Ó encanto do mal. Na escuta o derradeiro poema: até quando seremos posse do anjo torto? Meu país, nosso país. Nossa dor infinita sofre mais e mais perdas. O que nos assola: medo das águas, das enchentes, do fogo ou do futuro? Penso nos filhos. Penso nos netos. Pobre Brasil torto. Covardia dos demônios.