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NADICA DE NADA

Gosto de rádios. Para quem não sabe: sou um colecionador compulsivo! Ultimamente continuo apaixonado por radinhos com baterias recarregáveis, da marca Sansui. Tenho 4 deles - modelos diferentes, claro - e ainda aguardando a chegada de mais um. Listando as emissoras dos ouvidos: CBN, BandNews e Transamérica, hoje TCN. Hoje dia do voto. Lá fora chove desbragadamente. Pergunta: a chuva vai atrapalhar as eleições? Confesso: não sei! Não dormi direito. Dudu – meu cachorro com alma de caramelo – acordou-me chorando na porta do quarto tremendo de medo da chuva. O jeito foi levá-lo para a poltrona da sala e acomodá-lo no colo. Faz parte! Liguei o radinho, o F-22, um dos meus preferidos, bem na hora que o escritor e são-carlense Deonísio da Silva, explicava a origem e o significado da palavra democracia. Interessante. Parte boa – melhor ainda – foi escutá-lo sobre o significado de “ostracismo”, ato de excluir, banir ou isolar um indivíduo de um grupo, comunidade ou atividade política. O que eu – penso - que entendi: Evitar o surgimento de tiranos e conter figuras políticas cujo poder ou ambição “podem” ameaçar a liberdade pública ou a ordem democrática. Anotei. Mudei de estação. O Sansui F-22 tem visor iluminado. Fácil trocar de estação. Não precisa acender a luz do quarto ou da sala. Simplicidade tecnológica, algo assim. Madrugada de sorte a minha: dei de ouvidos com o Pasquale, falando sobre uma expressão que até então não conhecia. "Neca de pitibiriba", que significa absolutamente nada, "nadica de nada" ou a ausência total de alguma coisa. Neca é nada. Pitibiriba é um termo lúdico, uma invenção popular de som rimado e jocoso para dar ênfase à palavra neca. A chuva - lá fora - aumentou. Dudu – aquele com alma de caramelo - continua agitado, de ouvidos na sorte. Fazer o quê? Resta esperar! Tempo para acomodá-lo carinhosamente no colo, cobrí-lo com uma manta de lã, continuar na madrugada, pitibirando silêncios e vazios, no nadica do nada, na imensidão da sorte. Esperança? Talvez.

Joâo Scortecci