Lendo sobre o assunto: “O movimento dos braços contrabalança o balanço das pernas, impedindo que o corpo gire ou perca a estabilidade a cada passo. Andar balançando os braços de forma oposta às pernas gasta aproximadamente 12% menos energia do que caminhar com os braços grudados ou parados ao corpo.” A Inteligência Artificial, então, perguntou: “Gostaria de saber mais sobre a biomecânica da caminhada?”. “Sim”, respondi. Numa feira de robótica no interior de São Paulo, isso no ano de 2015, conversando com um engenheiro robótico, ele me disse: “Os humanos, quando andam, se equilibram balançando os braços, já os robôs, não; andam com os braços colados ao corpo!”. Anotei. De lá para cá tudo mudou: os robôs hoje fazem de tudo e quando andam também balançam os braços! Na física e na biomecânica, a caminhada é descrita como um pêndulo invertido. A cada passo, o corpo se move sobre a perna de apoio, que atua como uma haste rígida. O centro de gravidade do corpo sobe e desce em uma trajetória ondulatória. Essa mecânica permite uma troca contínua entre energia cinética (movimento) e energia potencial gravitacional (altura). Graças a esse design biológico, a caminhada humana é um dos métodos de locomoção mais eficientes da natureza, reaproveitando grande parte da energia gasta a cada passo. Na Netflix, num filme B, confuso, ruim de tudo, sobre Inteligência Artificial, a história – sem pé e sem cabeça – se passa no ano de 2063, quando robôs rebeldes dominaram o mundo e destroem Los Angeles, matando milhões de pessoas. Na trama, os humanos andavam balançando os braços economizando 12% de energia e os robôs, não; andavam com os braços colados ao corpo. No final do filme, os robôs eram os mocinhos – reviravolta completa – e só queriam viver em paz. Os humanos eram os verdadeiros bandidos. Acontece. Hoje vou caminhar no Parque das Perdizes – visitar a minha neta – e depois comer pastel de alho-poró e beber água de coco. Pretendo dar voltas no parque com os braços colados ao corpo e ver o que acontece. Aviso dado. Desconfio que me tornei um robô, um humanoide do pêndulo invertido, em um futuro não muito distante, algo assim.
João Scortecci