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GENGIS KHAN E CACHORRO BRAVO

Hoje de madrugada no rádio: “Não matem o mensageiro!” Anotei. Lembrei-me, então, da história de um carteiro morto por um fazendeiro do interior de Minas Gerais – isso nos anos 1970 - que lhe entregou um telegrama com a notícia de que sua amante havia morrido na capital de nó nas tripas. O fazendeiro, enfurecido, sacou sua pistola e matou o carteiro pelas costas, com um tiro na cabeça. Lembro-me que, na época, alguém importante teria declarado: “Bem feito!” O fazendeiro atirou e gritou aos céus: “Desgraçado!”. Quando criança – isso no Ceará dos anos 1960 - adorava as histórias de Gengis Khan (1162 -1227), imperador mongol, que – depois de alguns anos, já adulto – descobri tratar-se de um conquistador cruel e sanguinário. O livro, belíssimo, saiu de circulação, creio. Gengis Khan – que estabeleceu um império que se estendia do Oceano Pacífico ao Mar Cáspio e ao norte do Mar Negro - costumava cortar a língua de seus mensageiros quando eles - no dever do ofício - lhe traziam notícias ruins de desgraças e derrotas militares. Propósito, eu creio: “Lacrar o bico do mensageiro!”. Hoje, na versão moderna, a expressão “Não matem o mensageiro” é utilizada costumeiramente no ambiente corporativo e muito nas relações pessoais - serve de alerta preparatório - de que o que será dito não é nada interessante e muito menos agradável. Mudei, então, de estação no rádio. Detalhe, insignificante: comprei um Sansui F-28, rádio top, chinês, recarregável. Fico das 3 às 4h30, diariamente, navegando entre as rádios CBN, Band News e Transamérica. Hoje as melhores! Uma observação, pertinente: Elas, as rádios, andam repetindo as mesmas matérias milhões de vezes. Cansa! Parei numa entrevista interessante da brilhante Petria Chaves, rádio CBN, com a editora e escritora Nathalia Brandão. Nathalia, inteligente e cabeça boa, contou-nos sobre a língua imensa do pica-pau, pássaro famoso por suas habilidades em perfurar troncos de árvores para se alimentar e construir ninhos. Anotei. Levantei-me e fui pesquisar: O pássaro pica-pau bate o bico numa velocidade de 20 vezes por segundo sem sofrer lesões cerebrais, devido sua comprida língua que se enrola no próprio crânio, criando assim, uma espécie de cinto de segurança, um amortecedor natural de impacto. Pergunta: “E o que isso tem a ver com a história do “Não matem o mensageiro” e do cruel Gengis Khan?” Nada. Nada mesmo. Procurei – quase ao mesmo tempo - na Internet, a notícia do tal fazendeiro mineiro que nos anos 1970 matou com um tiro na cabeça o seu carteiro, porque ele - desavisado de tudo - havia lhe entregado um telegrama com a notícia da morte de sua amante. Não encontrei a matéria. Escafedeu-se! Publiquei - isso nos anos 1990 – um livro de um autor-carteiro, contando suas aventuras e “aperreios” que passou na profissão entregando cartas e telegramas. Perguntei-lhe, na época: “O que existe de pior no serviço?” Respondeu-me, de pronto: “Escapar dos cachorro bravo!”. E de bom: “Entregar cartas de amor!” Respondeu-me. Anotei. 

João Scortecci