A modelo Rose Di Primo (Rosimary Souza Primo) tem - praticamente - a minha idade. Ela nasceu em 1955 e eu, no ano de 1956. Não a conheço pessoalmente. O ator, diretor e produtor David Cardoso (1943), conhecido no cinema brasileiro como o Rei da “Pornochanchada” ficou de nos apresentar, isso durante uma filmagem de rua, no Bar Biroska, de propriedade da amiga e empresária da noite, Lilian Gonçalves, filha do inesquecível Nélson Gonçalves. O encontro, infelizmente, não deu certo. Era dia de uma “externa” nas esquinas das ruas Canuto do Val e D. Veridiana, em Santa Cecília. David Cardoso estava enlouquecido e pelo pouco que entendo de filmagens “nada estava dando certo”. Guardo no memorial da editora um “caminhão” de “histórias”, que venho arquivando desde sempre. Acumulador? Não. Memorialista, um registrador de lembranças, um guardador do passado, algo assim. Hoje – procurando não sei o quê - reencontrei o pôster da inesquecível e belíssima Rose Di Primo. Ela, de biquíni, pilotando uma moto. A foto da deusa – paixão de uma geração inteira - correu o mundo e foi capa de várias revistas. Ganhei o pôster do Raimundo, “borracheiro” do Largo do Cambuci. Na época tinha um Passat GL branco que, perdido de amor, uma vez por semana, furava propositadamente o pneu. Enquanto Raimundo mexia no pneu eu aproveitava e espiava o pôster da Rose Di Primo. Lembro-me, que ela, uma vez, sorriu e piscou o olho pra mim. Raimundo - esperto que só ele - desconfiou do meu estratagema. Disse-me: “Leva o pôster. É seu!” Foi o que fiz. Quanto ao Passat GL branco, eu o destruí numa batida feroz no Viaduto Pompéia. Perda total. Rose de biquíni, pilotando a moto, ficou: amor é amor!
João Scortecci