Das lutas. Lutas que nascem – das águas da dor – lutas primárias, raízes, da linha do sol do dia, no deserto do memorial. Lutas que brotam do nada e na brevidade do vazio absoluto, morrem no gozo do poema, com os segredos da noite. Lutas de abismos e morte! Não sei o que pesa tanto no selvagem coração do poeta: o cansaço dos dias de luta, as lutas em si – delas por elas – ou, ainda, as lutas primárias, singulares, do cruel destino do tempo. Não sei. Lutas sem fim, incertas, feridas, ilhadas, no desenho do voo astral. Vozes? Talvez. Neoplasias de leão. Loucura, demência, caduquice. Lutas e lutas: no cio do espírito. Elas – as lutas – surgem no gatilho do espelho, no mirante do alvo. Desafios! Lutas que brotam da alma: inquietas, voláteis e teimosas. Lutas de voar e voar. Eu, amanhã, outra vez, no Cosmo: bater asas e voar! Pássaro silvestre ou abutre: tanto faz! Não importa. Aceito o desejo – e a vontade maior – do poema maldito. Ele me guia: sabe o caminho das palavras, do gozo e da imortalidade.
João Scortecci