Acordei com a imagem na cabeça de um moedor mastigando um pedaço carne crua. Alguém girava a manivela com força e prática. A carne moída brotava das entranhas do moedor e caía numa imensa bacia de alumínio. No rádio alguém falava sobre um importante estudo sobre a nova medida da felicidade e florescimento humano. Anotei. No relógio 4h35 da manhã. Levantei, bebi um copo de água, esvaziei a bexiga e liguei o PC. Encontrei o assunto na Veja Saúde, estudo encabeçado por instituições de peso como a Universidade Harvard, Instituto Gallup, Universidade Baylor e Centro para Ciência Aberta. Harvard, sempre Harvard! Um estudo sobre Saúde física e mental, equilíbrio emocional, vínculos sociais, propósito de vida, caráter e segurança financeira. Utilizando um novo conceito, o de florescimento humano, a Global Flourishing Study (Fundado em 2016) está mapeando em 22 países - incluindo o Brasil - e mais de 200 mil pessoas o que nos faz viver plenamente. Interessante! A primeira leva de descobertas desse trabalho – projeto de 5 anos e investimento de 43 milhões de dólares - acaba de ser divulgada (2025) e traz, entre outras descobertas, uma análise sobre como países e gerações vêm se saindo. Florescer - do inglês flourishing -, é um estado em que todas as áreas da vida estão nutridas e em harmonia. O que nos faz florescer? Seis pilares balizam o estudo da Global Flourishing: Saúde física e mental, Bem-estar emocional, Propósito de vida, Vínculos sociais, Caráter e Segurança financeira. A somatória dos dados forma um índice de florescimento. Os voluntários do estudo passam por entrevistas com questionários estruturados e metodologia consolidada com o objetivo de montar um raio X de diversas esferas da vida. O que me chamou atenção no estudo: a idade influencia na felicidade! A juventude é quem amarga o pior lugar no índice. Em diversos países, incluindo Brasil, EUA, Suécia e Grã-Bretanha, a faixa etária dos 18 aos 24 anos é a que detém as menores notas na avaliação do florescimento humano. Nessas nações, a felicidade tende a aumentar com a idade, rompendo com a famosa curva em U dos estudos de bem-estar, teoria de que a satisfação com a vida é alta na juventude, cai na meia-idade e só volta a subir na velhice. Uma das expectativas é o que apontarão no futuro os dados sobre envelhecimento, os desafios e as oportunidades que se abrem com o avançar da idade. Quanto ao moedor de carne, depois de 2 dias comendo peixe, pretendo fazer no almoço hambúrguer caseiro, com a carne moída da bacia de alumínio. Sou um ogro - criatura mitológica do folclore europeu, descrita como um gigante humanoide de aparência grotesca, pele verde ou escura – e facilmente influenciável, quando quero.
João Scortecci