Conheci o ilustrador e criador da Turma da Mônica, Mauricio de Sousa, em setembro de 1989. Quem nos apresentou foi sua irmã, Yara Maura Silva, quando da publicação pela Scortecci Editora do livro de sonetos “Scenarios da vida – O cégo e o ateu”, do poeta, compositor e pintor Antonio Maurício de Sousa, seu pai. A obra – de 1938 e com a grafia da época – fez parte das comemorações de inauguração da Praça Antonio Maurício de Sousa, com o busto de bronze do autor, na cidade de Santa Isabel, Região Metropolitana de São Paulo. A arte da capa foi criação de José Miguel Silva Lara, profissional dos Estúdios Maurício de Sousa. Antonio nasceu poeta, mas também foi desenhista, pintor, compositor – teve várias músicas e canções gravadas –, radialista – atuou nas rádios Piratininga, Cruzeiro do Sul e Marabá –, palhaço de circo, barbeiro, impressor de linotipo e sonhador! Durante muito tempo, quando trabalhava como barbeiro, imprimiu numa impressora de tipos –instalada nos fundos da barbearia – um jornalzinho de nome “A Caveira”, com assuntos diversos, que ele mesmo escrevia, editava e imprimia. Era distribuído de mão em mão e vez por outra criticava – ardidamente – políticos, poderosos e religiosos da cidade de Mogi das Cruzes/SP, onde a família morava na época. O meu primeiro encontro com o criador da “Turma da Mônica” aconteceu nos Estúdios da Mauricio de Sousa, na capital paulista. Maurício foi gentil e atencioso. Palpitou sobre a publicação do livro do pai, a arte final da capa, o texto das orelhas – biografia do autor – e pediu – de pronto – que seu “staff” providenciasse e incluísse, nas revistinhas da Turma da Mônica, matéria de destaque sobre a obra e a inauguração da praça em homenagem a seu pai. “Você tem filhos?”, perguntou-me. “Tenho”. E, aproveitando a deixa, acrescentei: “Chama-se Alexandre e no próximo dia 2 de outubro completa 3 anos de idade”. Maurício, então, pegou papel e caneta de desenho, cor preta, desenhou a Mônica em um cartão e escreveu: “Parabéns, Alexandre!”. O cartão – guardado a sete chaves – virou matriz de convite para a sua festa de aniversário. Quando o ilustrador Maurício nasceu – primogênito de Antonio Maurício de Sousa –, o poeta escreveu o soneto intitulado “Nosso Filho”, obra incluída no livro “Scenarios da vida - O cégo e o ateu”. Segue: “És o fructo de um grande e santo amôr.../ És a fascinação, és esperança!/ A fúlgida ventura que o Senhor,/ Enviara para nós como lembrança./ Que não tenhas na vida um dissabôr.../ Que o teu futuro seja só bonança.../ Que ames Deus e teus paes, com tal fulgor,/ Como te amamos já, desde creança./ Transbordante de amôr o nosso ninho,/ E os desejos que temos, tem um brilho/ Que é para iluminar o teu caminho./ Já que segues comnosco o mesmo trilho,/ Esperamos que Deus, com seu carinho/ Faça de ti um bom e nobre filho!”. E, no soneto “Confissão”, expressa o seu amor pela poeta Petronilha de Sousa, esposa e mãe: “Á quem a minha vida já pertence; o encanto que embriaga e que fascina.”. Na apresentação do livro “Scenarios da vida – O cego e o ateu”, seus filhos –Maurício, Mariza, Maura e Márcio – escreveram: “Na sua obra o poeta se perpetua e segue existindo”. O poeta Antonio Maurício de Sousa faleceu na cidade de São Vicente, litoral paulista, no dia 28 de agosto de 1977.
João Scortecci