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CASTELINHO DA RUA APA: MAL-ASSOMBRADO E CHEIO DE MISTÉRIOS

Mal-assombrado e cheio de mistérios! É o que dizem do “Castelinho da Rua Apa” - palco de assassinatos e muitas histórias, mesmo depois de muitos anos.  O que aconteceu: Mãe e dois filhos – adultos – foram encontrados mortos a tiros, em 12 de maio de 1937. O crime - até hoje - intriga e assusta os paulistanos, principalmente depois que o “castelinho” ganhou fama de mal-assombrado. A história: Uma família importante e influente da época, donos do Cine Broadway – que encerrou suas atividades em 1967 e o prédio foi demolido nos anos 1970 - de propriedade de Maria Cândida (Maria Cândida Guimarães dos Reis), uma socialite, muito religiosa, viúva do médico César Reis (Virgílio César dos Reis) e seus dois filhos homens, todos personagens da tragédia. Na época, Maria Cândida tinha 73 anos de idade. Seu filho mais velho, Álvaro, 45 anos, advogado, exímio patinador - chegou a ser recordista mundial nesse esporte - gostava de festas, mulheres e viagens e o filho caçula, Armando, 43 anos, também advogado, reservado e caseiro, muito diferente do irmão mais velho. O que teria acontecido: Um desentendimento entre eles, foi o gatilho para os crimes. Álvaro queria fechar o cine Broadway, estava cheio de dívidas e no local, instalar, então, um rinque de patinação. Armando, responsável pelas finanças da família, recusava-se, veementemente, alegando que o rinque de patinação não seria uma garantia de retorno financeiro como era, até então, o Cine Broadway. A gota d’água veio em 12 de maio de 1937. Os dois irmãos teriam discutido, os ânimos se exaltaram, e eles apontaram armas um para o outro. De acordo com a versão oficial, Álvaro foi o culpado: baleou fatalmente a mãe e o irmão e depois, cometeu suicídio, com dois tiros no peito. Na cena do crime foi encontrado a arma de Alvaro, uma pistola automática Parabellum calibre 9, fato determinante para conclusão da versão oficial. Há controvérsias e dúvidas sobre a versão oficial. Leda de Castro Kiehl, sobrinha-neta de Maria Cândida, autora do livro “O Crime do Castelinho: Mitos e Verdades” (Equilíbrio, 2015), discorda da versão oficial. Para Leda foi o irmão mais novo – o Armando – quem teria sido o autor dos crimes. Há, ainda, outra hipótese: segundo os médicos, Maria Cândida teria sido assassinada com quatro tiros, não três, como consta no laudo policial. Duas das balas seriam de uma arma de calibre diferente da pistola de Álvaro, o que indicaria a presença de uma quarta pessoa no local, e que tornaria o crime uma chacina encomendada. A polícia descobriu, também, papéis assinados pelo filho mais velho que demonstravam que sua situação financeira era delicada, mas seus credores, que poderiam estar por trás da tragédia, nunca foram localizados. O Castelinho da Rua Apa, esquina com a Avenida São João, passou por um imbróglio judicial e, abandonado, acabou passando para as mãos do Estado. A deterioração só contribuiu para reforçar as lendas sobre o lugar. Hoje, o “Castelinho” -, é administrado pela ONG Clube das Mães do Brasil - Instituição Filantrópica, sem fins lucrativos, voltada às pessoas em situação de rua e em vulnerabilidade social - e foi restaurado no período de 2015 a 2017. Mesmo assim, a lenda de mal-assombrado e misterioso permanece na boca do povo. Pessoas que frequentam o “Castelinho” dizem ouvir passos, choros e lamúrias dos espíritos dos mortos no lugar. Ficou a sina de mal-assombrado e cheio de mistérios!

João Scortecci