Eu sou um exagerado! Levei tempo para admitir que era um hiperbólico raiz. É doença? Perguntei. Ana Chulé, amiga psicóloga, explicou: É e não é! Depende. No seu caso - continuou - está associado a um monte de outras neuroses. Neuroses? Sim. Lembro que na época ela listou tudo e não satisfeita, ainda, fez o meu mapa astral. Descobri o meu - é e não é - em 1985, quando Cazuza lançou o álbum “Exagerado”. Não sou só eu! Pensei. Hoje fico vigilante: sempre alerta! Faço de tudo para não cair no abismo da tentação. No dicionário exagerado significa: algo que vai além do normal, do razoável, do necessário. Pergunto, sempre: é necessário? Sim. Vou então para o item dois: é razoável? Talvez. É normal? Nunca! Aqui confesso os meus dois últimos exageros praticados no ano de 2025: comprei - impulsivamente - três radinhos Sansui (dois pretos e um verde) e 150 escovas de dente. Os três radinhos tudo bem: funcionam com bateria recarregável e têm som de alta fidelidade. Um no ouvido - ligado nas rádios Band News, CBN e Transamérica -, outro recarregando na tomada e o terceiro de reserva: vai que um deles pifa! Quanto as 150 escovas de dente eu explico: comprei 50 escovas pela Internet, numa promoção. Não vi que eram 50 kits e cada um deles com 3 escovas cada. Acontece. Já disse: sou um exagerado! Um hiperbólico raiz! Quanto a Ana Chulé - a psicóloga que sofria de bromidrose plantar - abandonou, depois da pandemia da Covid-19, a profissão de psicóloga. Hoje é influenciadora no YouTube, TicTok e Instagram. Vende desodorante para os pés. Isso dá dinheiro? Quis saber. Ela respondeu: Não! Ganho a vida é fazendo mapa astral. Justificou. Neurose? Talvez. É o meu é e não é.
João Scortecci