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A DANÇA DE MARIA BADERNA. ISSO EXPLICA ALGO OU ALGUMA COISA DE NÓS!

Maria Baderna foi única! No português brasileiro e no furor que causou na época do Brasil Imperial, no ano da graça de 1849, aceitando um convite para se apresentar com sua companhia no Teatro São Pedro de Alcântara, atual Teatro João Caetano, na cidade do Rio de Janeiro. Maria Baderna (Franca Anna Maria Mattea Baderna, 1828 - 1892) foi uma dançarina italiana de Piacenza, da comuna italiana da região da Emília-Romanha, província de Placência, que com sua dança ganhou fãs e admiradores “baderneiros” que não conseguiam se segurar quando das suas apresentações em público. Maria Baderna foi aluna do dançarino, coreógrafo e teórico da dança italiano Carlo de Blasis (1797 - 1878) e tornou-se membro do corpo de baile do Teatro Alla Scala, Milão, uma das mais famosas casas de ópera do mundo. Era considerada uma das maiores bailarinas da Europa, arrebatando as plateias dos principais teatros da Itália e da Inglaterra. “Baderna” é palavra exclusiva do português brasileiro que significa confusão, desordem e bagunça. O sentido de “ausência de regra” surgiu com a chegada da moça no final do século 19. Talentosa, sensual, logo conquistou uma legião de fãs, admiradores tanto de seus passos de dança quanto de seu espírito rebelde, contestador e inovador. Maria Baderna, na época, foi alvo de críticas ao introduzir elementos do lundu, da umbigada e da cachucha, danças afro-brasileiras, entre os passos da dança clássica, em meio a uma sociedade conservadora e escravista. A presença de “baderna” nos palcos era certeza de frisson cultural. O espírito de Maria Baderna veio e ficou de vez, entre nós, e nunca mais foi embora. Ficou impregnado no corpo e no espírito do brasileiro que somos! Maria Baderna foi perseguida e muitas vezes impedida de se apresentar, enfrentou campanha moralista desencadeada contra ela pelo “Jornal do Commercio”, diário que circulou de 1827 a 2016, até então, o mais antigo jornal em circulação na América Latina. Tornou-se alcoólatra e aos poucos, perdeu magia e acabou, por fim, abandonando a dança. Maria Baderna constituiu família na cidade do Rio de Janeiro, deixando quatro filhos: Antonio, Henriqueta, Fanny e Mario. Morreu aos 64 anos de idade, no dia 4 de janeiro de 1892 e foi sepultada no Cemitério do Caju (Cemitério de São Francisco Xavier). Isso explica algo ou alguma coisa de nós.

24.09.2022