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RENÉ THIOLLIER, MECENAS DA SEMANA DE ARTE MODERNA DE 1922 E O PARQUE MÁRIO COVAS

O escritor e advogado René Thiollier (René de Castro Thiollier, 1882-1968) foi um dos fundadores do Teatro Brasileiro de Comédia e conselheiro no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Foi também um dos organizadores da Semana de Arte Moderna de 1922. Amigo do então prefeito da capital paulista, Artur Bernardes, foi René Thiollier quem conseguiu alugar o Teatro Municipal de São Paulo — pagando o aluguel de seu próprio bolso e dando como garantia seus bens pessoais — para a realização das atividades da “Semana”. Era filho do francês Alexandre Honoré Marie Thiollier e de Fortunata de Sousa e Castro Thiollier, irmã da Baronesa de Itapetininga e Baronesa de Tatuí, proprietária de todo o vale do Anhangabaú. A família morava numa luxuosa casa na Avenida Paulista, número 1.853, esquina com a Alameda Ministro Rocha Azevedo. Durante anos, essa casa abrigou as reuniões da Academia Paulista de Letras, da qual René Thiollier foi aclamado secretário-geral perpétuo. Pouco lembrado e quase sempre esquecido quando o assunto é a Semana de 1922, Thiollier foi também cronista e colunista social, escrevendo para publicações, como “Diário Popular”, “Jornal do Commercio”, “Correio Paulistano”, “O Estado de S. Paulo” e “Revista do Brasil”. Publicou livros de contos (“Senhor Dom Torres” e “A Louca do Juqueri”), estudos histórico-biográficos (“Um Grande Chefe Abolicionista: Antônio Bento”, “A República Rio-Grandense” e a “Guerra Paulista de 1932”), crônicas e ensaios (“O Homem da Galeria”, “Episódios de Minha Vida” e “A Semana de Arte Moderna”). Foi eleito para a Academia Paulista de Letras em 1934 e lá criou a Revista, que dirigiu por 15 anos até 1952, quando se afastou para sempre dessa Academia. Sobre a obra literária de René Thiollier — que acabou não “vingando” —, questiona-se a qualidade da escrita e o descompasso com as ideias modernistas. René Thiollier foi um “mecenas”, e sua ajuda e colaboração foram fundamentais para a realização, com êxito, da Semana de Arte Moderna de 1922. Em 18 de abril de 2008, por meio do Decreto nº 49.418, do prefeito Gilberto Kassab, a Prefeitura de São Paulo criou o parque que recebeu o nome de “Prefeito Mário Covas”. Essa decisão recebeu críticas da família Thiollier e de outros paulistanos, que gostariam de homenagear o antigo proprietário do local, o escritor e advogado René Thiollier. Seu pai, Alexandre Honoré — que foi proprietário da primeira livraria de São Paulo, a “Casa Garroux” — construiu a mansão da Avenida Paulista em homenagem à esposa, Fortunata. Em 1909, Alexandre Honoré viajou para a Europa para tratamento da saúde e resolveu alugar o casarão para a família de Burle Marx. Na época, o casal esperava o quarto filho, que nasceu na mansão da Villa Fortunata e viria a ser Roberto Burle Marx, o paisagista mais reconhecido e celebrado do Brasil. René Thiollier — o mecenas — morreu no ano de 1968, aos 86 anos de idade.

25.01.2022