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GANDHI, JYOTIRAO E FERNANDO PESSOA: QUEM DÁ É A VIDA

“Mahatma” — composta por “maha” (“grande”) e “Atman” (“alma ou espírito”) — é uma palavra do sânscrito, grupo de línguas indo-áricas, antigas e modernas, que formam a maioria das línguas indo-europeias da Índia, Paquistão, Bangladesh e outros países vizinhos. Uma grande alma! Seres que, por meio do poder da vontade e da evolução espiritual, atingiram a “mestritude” espiritual. Quem dá é a vida! O termo “Mahatma” também é utilizado na Índia como título de honra atribuído a pessoas de alma grande, como o advogado e anticolonialista indiano Gandhi (Mohandas Karamchand Gandhi, 1869-1948) e o pensador e escritor Jyotirao Phule (Jyotirao Govindrao Phule, 1827-1890). Jyotirao — nome recebido em homenagem ao Deus Jyotiba — dedicou-se à erradicação da intocabilidade (segregação de grupos de pessoas) e do sistema de castas e a esforços na educação de mulheres e castas oprimidas. Casta (“cor”, em sânscrito) é um sistema tradicional, hereditário ou social de estratificação, ao abrigo da lei e com base em classificações como a raça, a cultura, a ocupação profissional e a religião. Gandhi, na sua “mestritude” espiritual e política, anticolonialista e de resistência não violenta, usou, na campanha de independência da Índia, a tática do “Satyagraha” — termo hindi composto pelas palavras “Satya”, que pode ser traduzida como “verdade”, e “agraha” que significa “firmeza”, “constância”. A filosofia do “Satyagraha” influenciou também Martin Luther King, na campanha que ele liderou pelos direitos civis nos Estados Unidos da América do Norte. Os princípios básicos da filosofia do “Satyagraha” são: não violência, verdade, honestidade, não roubar, não “posse” de bens materiais, trabalho corporal pelo pão de cada dia, jejum, destemor, igualdade e respeito a todas as religiões, boicote aos produtos e costumes estrangeiros e combate à intocabilidade (segregação). Os Mahatmas Gandhi e Jyotirao — cada um no seu tempo e do seu modo — foram incansáveis na luta contra a intocabilidade de castas e o imperialismo econômico, social e cultural dos colonizadores e senhores do mundo opressor contra os mais pobres e humildes. Aqui cabem os versos do poeta português, Fernando Pessoa: “Tudo vale a pena./ Se a alma não é pequena.” E quem dá é a vida!

30.01.2022