Platão - filósofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga - era um sujeito "mutável" e não gostava de “decoreba”. Mutável no sentido de alterável, flexível. Quando apertado, repetia: “O conhecimento deve ser absorvido pela compreensão e não pela mera repetição!”. Algum me contou: Fiquei sabendo que Platão não vai ao simpósio na casa de Ágaton - poeta trágico ateniense -, para celebrar a sua vitória no concurso de tragédias. Comentei: Deve ser fofoca! Insistiram: Vai não. E a lista de convidados? Quis saber, curioso. Gente importante: Fedro, Pausânias, Erixímaco, Aristófanes, Sócrates e Alcibíades. Perguntei, então: O que eles vão defender no simpósio? Resposta: Suas tragédias pessoais! Vão delirar sobre: amor, amizade, existência, vida e morte. Insisti: Você tem certeza que o Platão não vai mesmo? Não. Já avisou. Foi curto e indelicado: Não é não! Pois é: Platão, o mutável. Anda estranho, pensando na imortalidade. Comentei. Dizem – não sei se é verdade – Platão planeja abrir uma academia de filosofia, algo assim. Outra fofoca, anota: Fiquei sabendo que Platão pediu para o Apolodoro - aquele moço bom com as palavras – ir ao simpósio e anotar tudo: as deixas, os fuxicos, as fofocas. Será? Conheço o Platão: sujeito esperto. Deve estar tramando algo. Pensei. Outra, do Platão: Vocês sabiam que o seu nome verdadeiro dele é Arístocles? Platão é apelido e significa: "ombros largos" ou "costas largas" em grego. Não sabia! Naquela noite na casa de Ágaton - de lua cheia e sussurros estranhos - comeram e beberam além da conta. Embebedaram-se! O simpósio - depois das tragédias pessoais - terminou em “bacanal” dos infernos. Verdade? Resmunguei: O povo fala muito! Perguntei: Quem te contou isso? Foi o retratista e pintor Anselm Feuerbach quem abriu o bico. Disse-me, no pé do ouvido: Eu era o único sóbrio no banquete! Explicou: Fui a trabalho! Naquela noite de gemidos, versos e tragédias, Feuerbach, pintou, também, uma tela retratando a turma toda no bacanal. Levou a tela para Ágaton, dizendo que se ele não comprasse o quadro, levaria, então, de presente para o Platão. O que soube, depois, é que Ágaton comprou a tela p pagou em ouro - e a queimou. Um detalhe: Isso explica o estranho sumiço de Anselm Feuerbach, o retratista. Escafedeu-se! Platão tem razão: O conhecimento deve ser absorvido pela compreensão e não pela mera repetição! O povo fala muito!
João Scortecci