Saramago: um imortal

Dormi de radinho ligado na CBN. Vez por outra faço isso. Minha cabeça ficou “amolada” de covid, números e muita desgraça. Acordei zoado. No whatsapp uma mensagem de texto do Saramago: É hoje! Fui ver e descobri que era verdade. Aniversário de sua morte. E agora José? Hoje vai ter festinha no paraíso? Não complica. Sou ateu fervoroso. Nada mesmo? Talvez sirva um caldo de herbácea da região da Golegã e reúna alguns amigos escritores. Positivo operante. Estou pensando em reescrever a obra Ensaio sobre a Cegueira. Na verdade atualizá-la. O que você acha? Depende. Colocar vírgulas no texto? Também. Dar um gás na epidemia. Transformá-la em global. A ideia é abalar de vez a vida das pessoas e as estruturas sociais da humanidade. Provocar pânico total. A história começa na China e termina no Brasil. Sei. Olha a lista de possibilidades literárias: tifoide, sars, covid, dengue, zika, varíola, bubônica, negra, cólera, amarela, sarampo, ebola, espanhola, suína, aviária, asiática e tuberculose. Ninguém lembra ou fala da cegueira branca. Você tem razão. Esqueceram até o Nobel de Literatura e o Prêmio Camões. Chato isso. Você deixa medir sua temperatura corporal? Morto não tem febre. Nunca se sabe. Você é um imortal.

18.06.2020