Papel dobrado de dobras

Papel dobrado de dobras. De pão. Ficou o cheiro de quente e do adormecido no lugar. O traço foi risco de lápis. Mãos velozes? Não. Mãos trêmulas de bandeirolas. De Infância ou de velhice? Difícil saber. Isso importa? Talvez. E o que tinha de palavras no bilhete? Versos partidos. Na verdade dobra de palavras. Muitas? O suficiente para o verso. Então redobra de volta e guardo no bolso do pensamento. E vê se não esquece na cabeça. Qual a razão? Nenhuma. Precisa? Não. E o cheiro quente do lugar: o que faço dele? Respira. Calor de palavras e pão. E o povo da casa? Partiu no dia e nas horas. Cada um do seu jeito. Apressados vencerão! O que faço com as migalhas: varre do chão! Sobrou junto o toco do lápis. Ainda escreve? Sim. É o suficiente. Ele volta. Conheço os poetas.

15.06.2020