Zé Raimundo, o encanador

Zé Raimundo, encanador, quebra galho e velho conhecido vez por outra me liga. Faz isso quando está sem serviço. Ontem no final do dia ele “reapareceu” depois de quase um ano sumido. Quanto tempo Zé! O que você anda fazendo de bom? Perguntei. Pergunta imbecil a minha. Acontece. Zé Raimundo, cearense da cidade de Baturité, foi curto e pontual: Uma merda! Concordei. Tudo uma merda. O Senhor não tem serviço para mim? Nada, respondi. Zé ficou calado. Zé? Insisti. Passou alguns segundos e ele desligou. Dez minutos depois ligou novamente. Sr. João aqui é o Zé. Bom dia Zé! Caiu a ligação né? Diga, insisti. O Senhor não tem serviço para mim? Não. Nada mesmo. Perguntou e desligou novamente. Merda! Ligou mais duas vezes. O Senhor não tem serviço para mim? Não! Você está de sacanagem comigo, perguntei. Não tenho. Já te disse. E que merda é essa que você ligar, perguntar se tenho serviço para você e depois desligar na cara? O que está acontecendo? Problema de crédito ou defeito do celular? Encarei. Desculpa Sr. João. Desculpa. Voz embargada. Estaria chorando? É o tal do vírus, justificou-se. Zé e o que o “corona” tem com isso? Fiquei curioso. Zé está me escutando? Não desliga porra! Sr. João estão dizendo que celular é sujo. Pior que mictório e boca de presidente. Deu no rádio. Estão dizendo para evitar e falar pouco. O Senhor não tem serviço para mim? Perguntou e desligou.