Vi e não vi

Vi e não vi a ponta dos dedos. Sei que do nada lá estava tudo. Pés! O que esperava e também o que não aguardava. Não foi surpresa acreditar no mar. Nem podia ser isso ou algo assim das ondas. Talvez sal ou estrela de pontas. De repente tudo existe! Mesmo que não tivesse visto qualquer coisa ou até mesmo vazio eu compreenderia acreditar. Era existência. O tudo esperado do algo. O imenso segredo do breve. Veloz e absoluto. Imperceptível tempo e o seu riscado no chão do ar. Vento angular. Círculo fátuo de velas. Não foi um lugar, um porto indefinido ou um espírito de Iemanjá. Foi um nada possível. Nada justo. Foi assim fagulha. Foi assim fogaréu de luas. Um resfolegar de gozo? E depois: deltas. Águas de banho, de cheiro e espelho de flores: quem nos olha somos nós!  Quem nos vê enxerga o sonho. E o que vejo: pés na areia do mar. Seriam trilhas? Ou o incerto do navegar é preciso. Eu e os meus heterônimos.