Quando um amigo "querido" de infância nos esquece

Vez por outra - basta uma faísca de olho, cheiro, gosto e prazer - lembramo-nos de alguém. Onde será que anda fulano: vivo ou morto? Hoje brincar de busca até que é fácil e bem divertido. Outro dia encontrei um “galego do mau” garoto estúpido da minha cruel e doce infância no Ceará. Gostava dele. Fiz contato e ele me passou o número do seu celular. Liguei no ato da emoção. Que azedo foi saber que ali nada mais existia de nós. Em segundos percebi que nunca deveria ter voltado no nosso tempo. O limão agora era um corvo inerte, sem asas. Lembrei, lembrei e muito falei até resfolegar o silêncio. Nada o fez voar. Nem do chão saiu. Ele havia se esquecido de tudo: até dos melhores pecados da nossa infância pervertida! Desliguei-me de todas as lembranças. Perdi o rastilho de pólvora. O pirralho era até então o melhor dos meus exemplos de traquinagens, safadices e afins. Em algum lugar do passado ele deixou de ser um “gauche na vida”