Pleonasmo e não adiar para depois!

Conheci Pleo na fila do banco. Ele na casa dos 70 e eu ainda jovem. Isso nos anos 90. Pleo de Pleonasmo. Justificou. É o seu nome de batismo? Sim, respondeu. Eu me chamo José Pleonasmo da Silva. Pequeno detalhe: meu pai era professor de português. Compreendo. Foi consenso geral na família. Fazer o quê? O jeito foi “encarar de frente” e respeitar a vontade da linhagem. Certeza absoluta, respondi. Há muitos anos atrás tentei mudar de nome. Não deu. Conclusão final: ficou Pleo mesmo. Redundante, né? Muito. Olha que eu não fumo, não bebo e não como carne vermelha. Nada de vício. Não abuso. Tudo que é excessivo na transmissão de uma ideia complica a cabeça. Verdade. Reencontrei Pleo na fila do banco mais algumas repetidas vezes. Um dia ele me perguntou: o que você faz? Sou editor de livros. Interessante, respondeu. Você gosta do que faz? Certeza absoluta. Encarei de frente! Já pensou em desistir? Sim. Há muitos anos atrás... Vida de editor é vicioso e redundante. Ninho de pequenos detalhes. Coisas assim. Não quero ficar repetindo de novo e nem adiar para depois.