Gosto de Brincar de Trava-língua

Poeta adora complicar o simples. Mesmo achando tudo neste mundo belo, trágico e fatal. Para muitos só a morte depois da infiel desgraça encerra o poema dos injustiçados. Gosto de brincar de trava-língua. Bom exercício para a cabeça que voa. Mafagafos (espécie de animal que não existe) e o rato do rei de Roma são os melhores que conheço. Os mais populares. Antes de começar a brincadeira duas dicas para melhorar o desempenho no desafio: língua de sogra e bexiga (balão de látex). Funciona. O EU poeta, não satisfeito com os muitos trava-línguas do folclore, resolvi então poetar aloegos com os três pratos de trigo para três tigres tristes. Segue o belo, o trágico e o fatal da infeliz desgraça: Mafagafo era o nome de um tigre triste de Roma que gafava o rato do Rei. - Alô, o rato tá aí? - Não, só o Tatu que tá. Serve? Não. E o sabiá? O que não sabia assobiar ou o que comeu do prato de trigo? Nenhum dos três. Chama então o gato Félix da rainha escondido com o rabo de fora. Onde? Na sorte do rato. Aproveita que a Luísa do Rei está distraída lustrando o lustre listrado lá no ninho do sabiá. O que ilustra no espelho o rosto do tigre? Isso. Aproveita e olha debaixo da cama que tem uma jarra. Dentro da jarra tem uma aranha. Tanto a aranha arranha a jarra, como a jarra arranha a aranha. E os mafagatinhos da sogra? Eu explico: o rato comeu o gato, o sabiá cuspiu a aranha, o tatu caiu no veneno do tigre triste e a Luíza virou amante do Rei. Todos mafagaram-se de Roma.