Dos Polifágos da Predação

Dos polifágos da predação. Soberania ou competição? Há quem diga que somos os predadores de nós mesmos. Não duvido disso. Somos polifágos e hostis! Praticamos a predação e a intolerância. Preconceituosos? Sim. O leão é o rei da selva por ser feroz, elegante e um temido predador. Alimenta-se de outros animais para obter os recursos necessários para sobrevivência. E nós? Ainda menino li o conto folclórico do Flautista de Hamelin, dos Irmãos Grimm, que narra um desastre incomum acontecido em Hamelin (cidade da Alemanha no estado de Baixa Saxônia, capital do distrito de Hamelin-Pyrmont, cortada pelo rio Weser, localizada na região de colinas muito procurada por turistas andarilhos e ciclistas) no ano de 1284, que sofreu uma infestação de ratos. Um dia chegou à cidade um homem que reivindicava ser um "caçador de ratos" dizendo ter a solução para o problema. Prometeram-lhe como pagamento uma moeda pela cabeça de cada rato capturado. O viajante aceitou o acordo. Pegou uma flauta e hipnotizou os ratos, afogando-os no Rio Weser. Apesar de obter sucesso acabando com todos os ratos o povo da cidade recusou-se a pagá-lo pelo fato de não ter apresentado as cabeças. O homem deixou a cidade, mas retornou várias semanas depois e, enquanto os habitantes estavam na igreja, tocou novamente sua flauta, atraindo desta vez as crianças de Hamelin, que foram enfeitiçados e trancados para sempre em uma caverna. A cidade de Hamelin ficou sem ratos e sem crianças por muitos e muitos anos. Trágico? Irmãos Grim em memórias de predação.