Das expressões do dito pelo não dito

Das expressões. E dos ditos populares. Fica - aqui - o dito pelo não dito! Dizem que são eles - do nada, num passe de mágica - que resolvem o que não pode ser resolvido nunca. Os ditos populares ensinam: não deixar para amanhã o que pode fazer hoje! São eles - os ditos populares - que encerram diálogos, brigas, desavenças, discussões, debates, conflitos e até diferenças. São expressões que colocam ponto no nada. Fim no que não tem começo. Mais ou menos isso. São inconclusivos. Imprecisos. Frágeis e vazios de tudo. Atrapalham o entendimento filosófico da razão. Quem disso isso? Um profeta. Não agrada nenhum dos lados. Água mole, em pedra dura, tanto bate até que fura: significa o quê? Resiliência cósmica da imbecilidade. Então fica e grita: cada macaco no seu galho. Certo? E eu desdigo: cavalo dado não se olha os dentes. E ferradura? É dando que se recebe. Então aceita e não reclama do dia. Faz parte da ideia da hora. Há males que vêm para o bem. Qual? O do barato que sai caro. Professora Margarida dizia sempre: quando um burro fala, o outro abaixa a orelha. As duas. Depois lava as mãos e passa álcool em gel. Quem não arrisca não petisca. Jogou na mega? 36 milhões. Não. Vovó Sarah dizia em noites de pesadelo: medo dos vivos e não dos mortos! Eles - os vivos - não sabem de nada. Está com fome de comida? Estou. Saco vazio não fica em pé, sabia? Sim. Então come e vai dormir o sono dos justos. Está reclamando do quê? Dos anéis, da dor nos ossos da face e da cabeça cascuda da noite. E também da boca suja do amanhã de tanto rir do remédio amargo do dito pelo não dito. Andorinha sozinha não faz verão e nem santo de casa faz milagre. Sacou? Saquei. É o dito pelo não dito de quem – desavisado de tudo - tudo quer e tudo pode. Assim é o jogo do poder.

24.04.2020