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MANÉ E AS CLEPSIDRAS QUE ADORAM ÁGUA

As Clepsidras adoram água. Bebem com boca grande e “gravidam” gotas de sal, pungindo assim as horas de tempo. Confesso que nunca vi uma Clepsidra em ação. São engenhocas engraçadas de cintura fina, tronco largo e depositório farto. As Clepsidras nasceram na Judeia, parte montanhosa do sul de Israel, entre a margem oeste do mar Morto e o mar Mediterrâneo, em 600 a.C. Depois vieram as ampulhetas de areia - menos temperamentais que as Clepsidras (que engripavam no calor e no frio) e, também, mais eficientes. Tinham também cintura fina, só que duas cabeças iguais. Parte do dia marcavam o tempo de cabeça para baixo. Por volta de 1500, Peter Henlein, na cidade de Nuremberg (Alemanha), fabricou o primeiro relógio de bolso (todo de ferro, com corda para quarenta horas). Em 1595, o italiano Galileu Galilei descobriu o “isocronismo” dos pêndulos e outros - criativos - a fábrica de casinhas de cuco. O século XVI foi das descobertas e, também, das perseguições religiosas. Relojoeiros protestantes saíram da França e se alocaram na Suíça. Lá nasceram as marcas: Omega, Swatch, Rolex, Tissot, Zenith, Patek Philippe e Breguet. Tudo isso para dizer que mexendo na caixa de coisas antigas, dos anos de menino, encontrei o craque Garricha. Uma capa de relógio Patek Philippe do meu glorioso Botafogo de futebol de botão. A clepsidra ou relógio de água foi um dos primeiros sistemas criados pelo homem para medir o tempo, assim como o relógio de sol e a ampulheta. As clepsidras - dos gols e dos dribles - marcam a gravidade de Garrincha: estrela solitária e eterna no tempo.