“O Menino da Porteira” é um filme brasileiro de longa-metragem de 1976, dirigido por Jeremias Moreira Filho, inspirado na canção homônima, de Teddy Vieira. O filme foi rodado nas cidades de Araraquara e Borborema, no estado de São Paulo, e de Ouro Fino, no estado de Minas Gerais. No elenco, estavam Sérgio Reis, Jofre Soares, Maria Vianna e outros. Maria Vianna (Maria Viana de Paula) nasceu em Santa Quitéria, no Ceará, em 8 de julho de 1946. Começou sua carreira de atriz com um pequeno papel no filme “Sinal vermelho, as fêmeas”, mas o sucesso chegou logo depois, ao fazer o principal papel feminino em “Paixão de um homem”, ao lado do cantor Waldick Soriano. Maria Vianna fez vários filmes nos anos 1970: “O signo do escorpião”; “O poderoso garanhão”; “O menino da porteira”; “Mágoa de boiadeiro”; “Os pastores da noite”; e “O cangaceiro do diabo”. Na Rede Tupi de Televisão, em 1972, trabalhou na novela “Vitoria Bonelli”, de Geraldo Vietri. Na mesma emissora atuou ainda em “Cinderela 77” e em “Aritana”, novela de Ivani Ribeiro, de 1978. Conheci a atriz Maria Vianna no ano de 1982, por meio do deputado e amigo mackenzista Cunha Bueno (Antônio Henrique Bittencourt da Cunha Bueno (1949 - 2024), na época Secretário de Cultura do Estado de São Paulo. O papo com Maria Vianna rolou e alguns dias depois trouxe o seu livro inédito de poesias “Vertical dos Descaminhos” para publicar na Scortecci. Nome completo? Ela respondeu: “Maria Viana de Paula, de Santa Quitéria, no Ceará!”. Sobrenome Paula? Sim. Disse-lhe, então: Somos parentes! Risos. Para quem não sabe o meu sobrenome também é “Paula”, família cearense, por parte de pai, da cidade de Quixadá. Maria Vianna, belíssima, morena, 36 anos de idade - a Greta Garbo brasileira – muito conhecida no meio cinematográfico brasileiro. Fez história! O lançamento do seu livro “Vertical dos Descaminhos” aconteceu no MIS - Museu da Imagem e do Som, na Av. Europa, 158, Jardim Europa, na capital paulista. Evento “disputadíssimo” com a presença de políticos e artistas famosos, entre eles: Regina Duarte, Tarcísio Meira, Sérgio Reis e Outros. O evento estava marcado para começar oficialmente às 19 horas. O livro “Vertical dos Descaminhos” ficou pronto na véspera e foi retirado pela autora na manhã do dia do evento. Perguntei-lhe, preocupado: “Você não quer que eu leve os livros? “Não, respondeu. Vou deixá-los no porta-malas do carro!”. Explicou: Tenho ainda que pegar o vestido novo na costureira, cabeleireiro, unhas, maquiagem e ainda uma sessão de fotos. Compreendo, respondi. Cheguei ao MIS às 18h45, quize minutos antes. Já estava lotado! Mais de 200 pessoas aguardavam a chegada da atriz. Procurei no meio do povo por Maria Vianna. Nada! As 20h30, o público começou a ir embora. Desespero. Perguntas: E o livro? Confesso: Não foi fácil explicar que os livros não estavam com o editor e sim no porta-malas do carro da Atriz. Maria Vianna chegou ao MIS por volta das 21h10, quase no horário marcado para o encerramento do lançamento. “Deus do céu, o que aconteceu?” Ela - na maior calma do mundo – explicou-me: “Já estava no taxi quando lembrei que havia esquecido os livros no porta-malas do carro. Voltei, então, para buscá-los”. Maria Viana faleceu em 1984, aos 37 anos de idade. Sua morte até hoje é um mistério. Amigos da atriz desmentem a sua morte e afirmam que Maria Vianna vive “reclusa” em Nova York, nos Estados Unidos. Pesquisando na Internet: Que ela se casou com o diretor e autor argentino Yago Blass (1908 – 1979), perambulou alguns anos pela África e, depois, mudou-se, em definitivo, para Nova York. Dizem ainda que teve uma filha, de nome Amanda. E nada mais. Sumiu. Mistério total. Nunca mais soube de Maria Vianna, a Greta Garbo de Santa Quitéria. Nosso último encontro deu-se na virada do ano novo de 1982. Foi assim: Sentamo-nos no meio fio da calçada defronte da sua casa e lá, sozinhos, na vertical dos descaminhos, bebemos champagne e poesia.
João Scortecci