Cagliostro (Giuseppe Giovanni Battista Vincenzo Pietro
Antonio Matteo Balsamo, 1743-1795) era um enganador. Um pilantra! Ficou
conhecido com o “Príncipe dos Charlatões”, dava nó em pingo d’água. Começou sua
vida de transmutação na alquimia, prática ancestral e filosófica que combinava
elementos de ciência, misticismo, arte e religião. Depois se tornou ocultista, curandeiro
e místico. Viajou o mundo aplicando golpes. Frequentou a corte do rei Luís XVI (1754
– 1793) até se envolver no famoso “O caso do colar da Rainha”, escândalo
ocorrido na França entre 1784 e 1785, envolvendo uma joia, um cardeal ingênuo e
uma falsa carta, incidente que destruiu a reputação da rainha Maria Antonieta. Na
história a lista de pilantras é grande. Alguns, os mais conhecidos: Charles
Ponzi – promessa: Dobre o seu dinheiro em 90 dias! - é conhecido na praça como
o pai das pirâmides financeiras. Frank Abagnale foi de mentirinha e com
propriedade: piloto de avião da PanAm, chefe da equipe médica num hospital
pediátrico e advogado. Victor Lustig foi o inventor da famosa caixa de
dinheiro. Uma máquina que - supostamente - imprimia notas de US$ 100. Não
satisfeito, ainda, vendeu a Torre Eiffel e trapaceou ninguém menos que Al
Capone - gângster norte-americano -, num esquema de ações fraudulentas.
Ferdinand Demara (Ferdinand Waldo Demara, 1921 – 1982), em duas décadas de
trapaças, foi: monge católico, engenheiro, xerife, enfermeiro, advogado,
cientista, professor e médico. Como monge fundou uma universidade religiosa -
que existe até hoje. E mais: Durante a guerra da coreia embarcou num navio da
Marinha Canadense como o Dr. Joseph C. Cyr. A bordo cuidou de 16 pacientes fazendo
inclusive cirurgia cardíaca com cavidade torácica aberta. Ninguém morreu! Publicou
suas peripécias na revista Life. No final da vida virou pastor batista, de
verdade. Cursou teologia e passou a trabalhar em hospitais e obras de caridade,
como capelão. Uma curiosidade: quando da morte do ator norte-americano Steve
McQueen (1930 – 1980), foi Ferdinand Demara, seu amigo, quem lhe deu a
extrema-unção. Inacreditável! Nota interessante sobre embusteiros e falsários ao longo da história: A
maioria deles – os números não mentem - optou em aplicar seus golpes como médico ou curandeiro, comportamento que
até hoje ocupa o topo da lista das malandragens. E pensar que naquela época ainda não existia a Internet. Morrendo e aprendendo!
João Scortecci