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PETRICOR: POESIA DA TERRA

Petricor, sangue dos deuses, aroma terroso que a chuva provoca ao cair em solo seco. O termo foi criado em 1964 por dois pesquisadores australianos, Bear e Thomas, para um artigo na Revista Nature. No artigo, os autores descrevem como o aroma deriva de um óleo produzido por certas plantas durante períodos de seca, que é então absorvido pela terra e por pedras argilosas. Durante a chuva, o óleo desprende-se no ar - juntamente com outro composto - a geosmina - composto orgânico produzido por microrganismos como bactérias e fungos - produzindo um cheiro característico. Em 2015 cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) utilizaram câmeras que gravam em alta velocidade para entender melhor como o odor é liberado quando pequenas gotículas de água colidem com a terra. O nariz humano é sensível à geosmina e aos cheiros da terra. Os humanos apreciam o cheiro da chuva, o perfume das palavras de amor, os segredos de Petricor, da deusa que sangra palavras e chove poesia. Colisão de corpos? Forças intensas, um sobre o outro. O abraço que não solta, o beijo que mastiga línguas, o laço do gozo que voa aos céus. Petricor: é você? Sinto no ar o aroma terroso da geosmina, o balanço selvagem do doce mundo feroz, que - mortalmente – alimenta os cheiros da terra. No jardim, o pecado das manhãs, óleo que escorre no vidro do tempo e se afoga – único e solitário – na pele das dores imortais. Petricor: poesia da terra!

João Scortecci