O dia 17 de maio foi instituído em 1963 como o “Dia das Letras Galegas”, quando se comemoraram os 100 anos da primeira edição da obra “Cantares Gallegos”, da escritora espanhola Rosalía de Castro (Maria Rosalía Rita, 1837 – 1885), escrita em língua galega – língua ibero-românica ocidental de caráter oficial da Comunidade Autônoma da Galiza. Rosalía de Castro nasceu em Santiago de Compostela, capital da Comunidade Autónoma da Galiza, noroeste de Espanha. É considerada a fundadora da literatura galega moderna. Escreveu tanto em prosa quanto em verso, empregando o galego e o castelhano. Sua obra está marcada pelas circunstâncias que rodearam sua vida, sua origem, os problemas econômicos, a morte dos seus filhos e sua frágil saúde. Em 1863, em Vigo, cidade da costa noroeste da Espanha, o seu primeiro grande livro, “Cantares Gallegos”, publicado por seu marido, o historiador galego Manuel Murguía (1833 – 1923). Ele geriu, sem a licença da esposa, a impressão de um poemário, que fixa o começo de uma nova era para a poesia galega e que foi a base do ressurgimento da literatura galega, numa época em que essa língua estava extinta como língua escrita. Em 1880, Rosalía de Castro publicou “Folhas Novas”, praticamente uma continuação de “Cantares Gallegos”. Em castelhano, publicou “La flor” (1857), “A mi madre” (1863), “En las orillas del Sar” (1884) e o romance “El caballero de las botas azules” (1867), obras marcadas pelo romantismo literário. Rosalía de Castro passou os últimos anos da sua vida em Padrón, na província espanhola de Galiza, na “Casa da Matanza”, que depois se tornaria casa-museu. A doença de Rosalía e a morte acidental do seu filho caçula, aos dois anos de idade, amargaram os seus derradeiros anos de vida. Morreu de câncer no útero, em 1885, aos 48 anos de idade. Antes de morrer, pediu aos filhos que queimassem os trabalhos literários que, reunidos e ordenados por ela mesma, não foram publicados. Destruir o que não foi publicado tem sido um pedido comum de muitos escritores. Uma obra não publicada – geralmente – é vista pelo autor como algo incompleto, defeituoso, mal resolvido. Os escritores Franz Kafka, Virgílio e Emily Dickinson, também fizeram o mesmo. Queimem tudo! No caso de Franz Kafka o seu pedido não foi atendido. Coube a Max Brod – amigo e confidente – a traição. Rosalía de Castro foi enterrada no campo-santo da Adina, na Galiza. Anos mais tarde, em 1891, seus restos mortais foram transladados para o Panteão de Galegos Ilustres, no convento de São Domingos de Bonaval, em Santiago de Compostela.
João Scortecci