O jornalista jauense Ottoni Fernandes (Ottoni Guimarães Fernandes Júnior, 1946 – 2012) morreu no dia 30 de dezembro de 2012, aos 66 anos de idade. Foi vítima de um infarto em El Chaltén, na Patagônia, Argentina. Ottoni, na época, era diretor internacional da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Antes de assumir a diretoria internacional da empresa, foi diretor de Comunicação do Instituto Lula, secretário executivo da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, entre 2007 e 2010, na gestão do ex-ministro Franklin Martins, e diretor de redação da revista “Desafios do Desenvolvimento”, do Ipea – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Trabalhou por 21 anos na “Gazeta Mercantil”, onde atuou de repórter a diretor-geral. Também foi redator-chefe da revista “Isto É” e editor da revista “Exame”. Ex-guerrilheiro, Ottoni militou na ALN – Ação Libertadora Nacional durante os primeiros anos da ditadura militar, até ser preso em 1970. Em 2004, lançou o livro “O Baú do Guerrilheiro – Memórias da Luta Armada”, com memórias dos anos de prisão. Trabalhamos juntos na CBL – Câmara Brasileira do Livro, quando eu era vice-presidente da entidade, na gestão do presidente Raul Wassermann. Ficamos amigos. Quando conversávamos sobre os “anos de chumbo”, a brincadeira era sempre a mesma. Pergunta: “Ottoni, como você conseguia dirigir o fusquinha em fuga com os seus mais de 1,90 de altura?”. Risos. Certa vez, até tentou explicar, sem sucesso. Aprendi muito com ele. Uma certeza: uma moeda tem mais de duas faces! No ano de 1976, quando foi libertado da prisão, eu estava no 2º Batalhão de Guardas, Parque Pedro II, na capital paulista, prestando o Serviço Militar Obrigatório e, vez por outra, de serviço no QG do II Exército. “Ottoni, sorte que não tive que usar a minha Beretta M12 em você!”. “Sorte mesmo!”, repetia. A última vez que nos encontramos foi em Lisboa, Portugal, no restaurante Solar do Presunto, na Rua das Portas de Santo Antão, 150. Gritei: “Olá, jornalista guerrilheiro!” O restaurante inteiro nos olhou. Ottoni, timidamente, nos seus mais de 1,90 de altura, respondeu: “Poeta, você não existe!”. E assim foi: inesquecível.
João Scortecci