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ADRIANO NOGUEIRA E OS REGISTROS LITERÁRIOS

O tempo é veloz! Rosani Abou Adal ligou para mim, convidando: “Scortecci, você não quer escrever para o jornal uma nota sobre os 20 anos da morte do Adriano Nogueira?” Confesso que, antes de dizer “sim”, assustei-me com a velocidade do tempo: 20 anos! Inacreditável! O advogado e escritor Adriano Nogueira nasceu no dia 8 de setembro de 1928, na cidade de Piracicaba, interior de São Paulo. Faleceu em 2004, aos 76 anos de idade. Em 1989, foi um dos fundadores, junto à jornalista e escritora Rosani Abou Adal, do jornal Linguagem Viva.

Aproximamo-nos, Adriano Nogueira e eu, durante a realização do I Concurso de Poesias Linguagem Viva, em 1993, quando editamos os 30 poemas classificados em uma antologia publicada com apoio da Fundação Biblioteca Nacional, União Brasileira de Escritores e Scortecci Editora. Em 1998, a Scortecci Editora publicou o seu livro Registros Literários, seleta de artigos da coluna “Efemérides Literárias”, em que Adriano Nogueira resgata parte da memória de escritores piracicabanos: Almeida Fischer, João Chiarini, Thales de Andrade, Mário Neme, Cecílio Elias Netto, Lino Vitti, Francisco Lagreca, Ortiz Monteiro, David Antunes, Léo Vaz e João Baptista de Souza Negreiros Athayde.

Registros Literários foi prefaciado pelo escritor cearense Caio Porfírio Carneiro, na época secretário-geral da UBE – União Brasileira de Escritores, que assim descreve Adriano Nogueira: "Piracicabano de nascimento de residência a vida inteira, fez o que achou justo: reuniu no livro, em grande parte dele, retratos e registros de figuras e obras dos filhos da terra, que deixaram notável legado para o Estado e o País." 

Adriano Nogueira foi também Secretário da Academia Piracicabana de Letras e Diretor da União Brasileira de Escritores, em várias gestões. Em 1990, recebeu o troféu Mirante, destinado ao destaque cultural do ano de 1990, em Piracicaba. E, nessa cidade, foi um dos fundadores do Diretório Municipal do Partido Socialista Brasileiro, junto ao professor e um dos mais importantes folcloristas brasileiro, o piracicabano João Chiarini (1919 – 1988).

Sensível e inesquecível, Adriano Nogueira nos deixou importante legado sobre a literatura e a cultura piracicabanas. Nas "Efemérides Literárias", ajudou a escrever parte das histórias do jornal Linguagem Viva, hoje memorial da literatura brasileira. No livro Registros Literários, perpetuou-se, registrando com sabedoria e inteligência, traços da história da literatura brasileira.

João Scortecci