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ZORRO E A LETRA Z

A letra Z é a 26ª e também a última letra do alfabeto latino. A letra Z tem suas origens no alfabeto fenício. Zain - significava arma - e era representada pela figura de uma adaga, espada curta. Conheci o justiceiro Zorro - todo de preto: roupa, capa e máscara - e espada, lutando contra todas as injustiças do mundo na tela preto e branco da TV Ceará, Canal 2, emissora afiliada da Rede Tupi. Isso no Ceará dos anos 1960. Até então, aparelhos de televisão, eram uma raridade, na Fortaleza daquela época. Foi meu tio Zanzão - João Batista de Paula Filho - quem primeiro comprou uma. A sala da sua casa na Av. D. Manoel, 1076, ficava apinhada de gente da família e da vizinhança. Lá em casa televisão chegou somente em 1968, um aparelho GE, com seletor automático de canais. Uma novidade. Engraçado foi descobrir que girando o seletor de canais - volta completa - parávamos, sempre, no canal 2. Emputecido - num dia de fúria - arranquei o seletor fora com a ponta de uma faca. Um detalhe, significante: a TV continuou funcionando, numa boa. Aparelho de TV colorido somente em junho de 1970, para assistirmos os jogos da copa do mundo de futebol, no México. O personagem Zorro nasceu em 9 de agosto de 1919, fruto da imaginação do escritor estadunidense Johnston McCulley (1883 - 1958). O personagem principal da trama Don Diego de la Vega (o Zorro) - jovem aristocrata de origem espanhola que enfrentava os poderosos corruptos e cruéis que abusavam do povo humilde de Los Angeles e arredores - na Califórnia espanhola (1769 -1821) - era interpretado pelo ator Guy Williams (1924 - 1989). Faziam parte da trama o seu fiel mordomo Bernardo (surdo e mudo) e o robusto sargento Garcia (Demetrio López García), um inimigo de Zorro, simpático, bonachão e pouco perigoso. A assinatura de três traços com a espada para formar a letra "Z", de Zorro, era a marca registrada da série. No Natal, quando papai não queria dar-me de presente dois revólveres - com espoleta estrela - do John Wayne (Marion Michael Morrison, 1907 - 1979), ameaçava, então, pedir uma espada do Zorro. Funcionava sempre. Meus pais eram sábios. Prudentes, talvez. Imaginando o que eu seria capaz de fazer com uma espada justiceira.

João Scortecci