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MILAN KUNDERA E OS TEMPOS TRÁGICOS

Tempos trágicos! Acordei pensando na vida e nas dualidades da insustentável leveza do ser (Milan Kundera, 1984). Das dualidades fui para os versos de Parmênides (530 a.C. – 460 a.C.), filósofo grego natural de Eleia, cidade grega na costa sul da Magna Grécia. Interessante o caminho imaginário que o levou até a morada da deusa da justiça e ao coração da verdade. E o que a razão nos diz? Volto e releio sobre metafísica dedutiva. Abro o jornal e leio sobre cultura criativa e futebol. Tempos difíceis! Volto para Parmênides e realinho os pensamentos: ou algo existe ou algo não existe. Se é possível pensar em algo, esse algo pode existir. Nada não pode existir. Doxa! Doxa! Das dualidades chego até o caminho da opinião: sobre a qual não podemos ter nenhuma certeza. A dualidade continua. Ou seria algo mais simples como dúvida ou até mesmo uma ressaca? Nego-me a ir até Platão, Aristóteles e outros. Encontro algo que me conforta: a filosofia de Parmênides se apresenta como um contraste entre a verdade e a aparência. Preto no branco ou branco no preto? Ficamos assim e – provisoriamente – assim está bom. Abro o jornal – mania que tenho – e fico sabendo da morte do Milan Kundera (1929 – 2023), aos 94 anos de idade. Doxa! Doxa! Tempos trágicos! 

João Scortecci